Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora

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Cantinho da liturgia › 16/01/2015

Tempo Comum – Parte I

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Concluímos o primeiro grande ciclo litúrgico, o Ciclo do Natal, com o encerramento do Tempo do Natal na Festa do Batismo de Jesus. Entraremos no Tempo Comum, em que somos chamados a viver as pregações de Jesus Cristo em nossa vida diária. Não celebramos ocasiões importantes da vida do Senhor neste momento, meditamos sobre seus ensinamentos. Este período, entre os dias 12/01 (inclusive) e 17/02 (inclusive), será uma transição entre o Tempo do Natal e o Tempo da Quaresma.

Nesta primeira etapa do Tempo Comum, que compreende  4 a 8 Domingos, nós veremos as primeiras pregações de Jesus e o chamado aos seus primeiros apóstolos.

No final deste post, você confere uma reflexão sobre o 2º e 3º Domingos do Tempo Comum!

Estrutura do Tempo Comum

O Tempo Comum é dividido em 33 ou 34 domingos (dependendo do ano) e suas respectivas semanas. As semanas são contadas após o respectivo domingo que as inicia, isto é, após o 20º Domingo Comum, ocorre a 20ª Semana Comum. Quando houver solenidades ou festas que substituam o domingo, a contagem permanece, como é o caso da Festa do Batismo de Jesus, que antecede a 1ª Semana Comum, e a Solenidade de Pentecostes, que antecederá a 9ª Semana Comum de 2015.

Todos os domingos comuns possuem grau semelhante a algumas festas do ano litúrgico, por isso é cantado o Hino de Louvor. Há algumas Festas do Tempo Comum, as quais possuem grau superior ao domingo comum. Quando ocorrem em um domingo, a liturgia do dia é substituída pela liturgia da festividade. As Solenidades também substituem os domingos comuns. Outras Festas, no entanto, possuem grau semelhante e não podem substituir o respectivo domingo, ocorrendo neste. Para constar, as Solenidades são as maiores liturgias da Igreja, as Festas são comemorações menos expressivas do que as Solenidades. As Solenidades sempre possuem grau superior a qualquer domingo do Tempo Comum ou Festa. As cores litúrgicas também são alteradas, passando do verde para a cor da liturgia em questão. Cada festa comum possui seu prefácio próprio, ou um prefácio que é usado em outras festas, por exemplo, o prefácio das Festas dos Santos Apóstolos.

Algumas festas que possuem grau superior aos domingos comuns:

  • Festa da Apresentação de Jesus (02/02)
  • Festa da Exaltação da Santa Cruz (14/09)
  • Festa da Dedicação da Basílica de Latrão (09/11)

Algumas festas que não possuem grau superior aos domingos comuns:

  • Festa da Visitação de Nossa Senhora (31/05)
  • Festa dos Santos Arcanjos (29/09)
  • Festa de São Lucas Evangelista (18/10)

* – Algumas festas podem ganhar caráter Solene, em locais (dioceses, paróquias ou países) do Padroeiro ou Padroeira. Para os Salesianos, o dia 24/05 é o dia da Solenidade de Nossa Senhora Auxiliadora, em todas as paróquias desta ordem,  já para o calendário geral da Igreja, é uma memória facultativa. No dia 25/01 é comemorada a Memória pela Conversão de São Paulo. Neste ano, ocorrerá em um domingo, logo não será celebrada pela Igreja. Na cidade de São Paulo, entretanto, será uma solenidade, pois é o aniversário da cidade e do padroeiro. Em Roma também ocorrerá uma grande solenidade, uma vez que Paulo também é padroeiro da capital italiana.

 

As liturgias das férias (dias da semana) compreendem todos os dias entre cada domingo. O sábado faz parte das férias, mas é costume que seja celebrada a missa dominical no fim do sábado anterior. Assim, a liturgia do sábado só é celebrada nas missas que ocorrem antes do meio-dia. Sempre que houver alguma festa ou solenidade durante as semanas comuns, a liturgia do dia é substituída pela liturgia da ocasião.

Ao lado das Solenidades e Festas, existem as memórias litúrgicas dos , comemorações que recordam os santos, e as missas votivas , que recordam periodicamente a devoção popular. Alguns exemplos de missas votivas: Devoção ao Sagrado Coração de Jesus (1ª Sexta-feira do mês), Devoção ao Imaculado Coração de Maria (1º sábado do mês), Santíssima Eucaristia (3ª quinta-feira do mês).

As missas memoriais e votivas não costumam substituir a liturgia do dia, mas são substituídas algumas antífonas (pequenas frases que evocam o Evangelho do dia, o Tempo Litúrgico, ou o santo celebrado), orações do dia e a cor litúrgica, que passa do verde para o branco (santos) ou para o vermelho (santos mártires). Também pode ser alterado o prefácio eucarístico em certas ocasiões.

Existem dois graus de memórias: facultativas ou obrigatórias. O Padre sempre deve celebrar a memória obrigatória inscrita no calendário geral da Igreja, outras memórias são facultadas à comunidade decidir.

Algumas memórias mais fortes para a Igreja, no entanto, requerem leituras específicas do dia, por exemplo:

  • São Tito e São Timóteo (26/01)
  • Santos Anjos da Guarda (02/10)
  • Martírio de São João Batista (28/08)

Algumas memórias obrigatórias que não substituem a leitura do dia

  • São Tomás de Aquino (28/01)
  • São Boaventura (16/07)
  • São Januário (19/09)

* – Novamente recordando: em locais em que o Santo é o Padroeiro (dioceses, paróquias ou países), a memória torna-se uma Solenidade local. Dia 12/10 é a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil. Em outros países, é uma memória simples facultativa (que pode ser omitida).

Por fim, a Igreja também garante espaço para missas de diversas necessidades. Missa de ação de graças pelo término ou início do ano paroquial, missa de Ação de graças pela formatura dos alunos de determinada escola, missas pedidas por fieis, etc. Neste caso, é possível substituir-se a liturgia do dia por uma liturgia específica, de interesse ao tema por qual é rezada a missa. As missas aos fieis defuntos ocorrem, em sua maioria, durante a semana, ao recordamos o 7º Dia de morte, mas não há alteração na liturgia do dia ou dos paramentos litúrgicos.

Em ocasiões de maior ligação com a paróquia, por exemplo a morte de um presbítero, de um Bispo ou de um fiel querido, a liturgia do dia é alterada para a missa dos Fieis Defuntos, em que, além das leituras, a cor litúrgica é mudada para o roxo e o prefácio é dos mortos.

Primeira Etapa do Tempo Comum

Diferentemente dos outros quatro tempos litúrgicos, o Tempo Comum possui duas etapas separadas, pois é o período dedicado à formação litúrgica e teológica do cristão. Nos tempos dos Ciclos do Natal e da Páscoa, recordamos os acontecimentos que nos levaram à salvação, aqui aprendemos e refletimos o que nós devemos fazer por nossa salvação.

Por conta disso, o Tempo Comum preenche as datas em que não celebramos os dois grandes ciclos. A primeira etapa é a que tem início em janeiro. Ela começa no dia seguinte à Festa do Batismo de Jesus (Fim do Natal), com a primeira semana comum e termina na terça-feira anterior à quarta-feira de Cinzas (Começo da Quaresma). A data de início depende apenas do dia em que o Natal ocorre durante a semana, sendo que o Batimo sempre será o 3º Domingo após o Natal. A data de encerramento varia de maneira diferente, pois dependerá da data da Páscoa, que é uma data móvel a cada ano. As Cinzas ocorrem cerca de 40 dias antes da Páscoa.

O número de domingos será determinado por estes dois fatores. Este ano, a primeira etapa do Tempo Comum contará com o 2º, 3º, 4º, 5º e o 6º Domingos comuns, a 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª semanas comuns e a segunda e terça-feiras da 6ª semana comum, sendo que não existe um primeiro domingo comum, pois a primeira semana começa após o Batismo de Jesus, ainda no Tempo do Natal. Ao lado dos domingos, haverá duas grandes festas litúrgicas na paróquia.

  • 18/01 – 2º Dom
  • 25/01 – 3º Dom
  • 31/01 – Festa de São João Bosco (Memória Litúrgica no calendário geral)
  • 01/02 – 4º Dom
  • 02/02 – Festa da Apresentação de Jesus
  • 08/02 – 5º Dom
  • 13/02 – 6º Dom

Lembrando que, nas missas das respectivas vésperas destes domingos, também são celebradas as liturgias dominicais. A exceção ocorrerá no dia 31/01, quando ocorre a Memória Litúrgica de São João Bosco, padroeiro dos Salesianos e dos jovens. Nossa paróquia salesiana celebrará Dom Bosco em caráter festivo, por isso é permitido que o domingo do Tempo Comum seja omitido, em razão da festividade local.

2º e 3º Domingos do Tempo Comum e a Harmonia Evangélica

Marcos-114-20

 

2º Domingo

  •  1ª Leitura – (1Sm 3,3b-10.19)
  • Salmo – Salmo 39
  • 2ª Leitura – (1Cor 6,13c-15a.17-20)
  • Evangelho – (Jo 1,35-42)

3º Domingo

  •  1ª Leitura – (Jn 3,1-5.10)
  • Salmo – Salmo 24
  • 2ª Leitura – (1Cor 7,29-31)
  • Evangelho – (Mc 1,14-20)

No 2º Domingo (17 e 18/01), o Evangelho de João narra a partida de Jesus para as vilas em torno do Mar Tiberíades, na Galileia. Primeiro, recordamos o que diz São João Batista: ‘Eis o cordeiro de Deus’. Após este anúncio, os discípulos de Batista passaram a seguir Jesus Cristo. Aqui, reforçamos a teologia explorada no Tempo do Advento, em que recebemos João Batista como o precursor de Jesus.

Jesus parte para a região da Galileia e passa a pregar nas vilas em torno do Mar Tiberíades. Um dos discípulos que seguia São João e agora segue Jesus, Santo André, procura o irmão, Simão Pedro, para que ele também siga Jesus. A partir daqui, dá-se o primeiro contato de Jesus com Pedro e Jesus o exorta em seu novo ministério, dando-lhe novo nome.

A primeira leitura, do Livro de Samuel, exibe a lealdade de Samuel com Deus, porque se mantém firme após tantos chamados sucessivos. O gesto de Samuel renasce no gesto dos discípulos, ao seguirem Jesus -Deus – como Samuel.

No 3º Domingo (24 e 25/01), o Evangelho de Marcos mostra o mesmo episódio, porém de uma maneira um pouco diferente. No caso, Jesus se aproxima de André e Simão, enquanto os irmãos preparavam o barco para sua pesca. Jesus faz o chamado aos dois irmãos e ambos passam a segui-lo. Por fim, Jesus aumenta seu discipulado, com o chamado aceito por João e Tiago.

A primeira leitura, retirada do Livro de Jonas, mostra as ações do profeta em seu próprio ministério. O paralelo com o ministério de Cristo é inevitável. Jonas parte para uma grande cidade e o povo acredita em seus ensinamentos. Jesus parte para uma vila muito povoada, e consegue seus primeiros apóstolos.

Harmonia Evangélica e Liturgia

Os Evangelhos Sinóticos (Marcos, Mateus e Lucas) apresentam o relato de maneira próxima entre si. O Evangelho de João parece contradizer os outros 3, por apresentar uma outra cronologia dos fatos que ocorreram entre o Batismo de Jesus, suas primeiras pregações e a adesão dos primeiros apóstolos ao ministério de Cristo.

Com este aparente problema, já no século II, os primeiros teólogos desenvolveram a técnica de Harmonização Evangélica, com a qual procuraram ordenar os fatos narrados nos diferentes textos, acerca dos passos de Jesus. Uma hipótese plausível evoca que o chamado de Jesus aos irmãos Simão e André não foi o primeiro contato de Cristo com eles, mas sim o episódio narrado em João. A própria narrativa nos mostra a prontidão de André e Simão em responder ao chamado de Jesus, o que podemos imaginar difícil, sem que ambos já conhecessem as pregações de Cristo.

Outro ponto muito importante: a liturgia não procura seguir uma ordem cronológica, mas sim uma ordem teológica. Durante o Advento, os evangelhos apresentaram o ministério de João Batista como preparação para o Nascimento de Jesus, embora o Natal tenha ocorrido muitos anos antes do ministério de João. A conclusão mostra que a teologia guia a divisão dos domingos litúrgicos do ano, não a cronologia, pois o Natal era preparado e enriquecido com as pregações de João.

No próprio Tempo do Natal, vimos São João apontar para Cristo como o cordeiro de Deus e foram apresentados os primeiros milagres de Cristo, durante a Semana após a Epifania (Tempo do Natal).

Outro exemplo interessante é o acontecimento da Tentação de Jesus. Este episódio ocorre logo após o Batismo, de acordo com a harmonização dos Evangelhos. Na liturgia, o episódio da Tentação ocorre durante o Tempo da Quaresma, de modo a transmitir a ideia da conversão que se intensifica naquele período.

Conclui-se que a liturgia celebra os ensinamentos e os fatos da melhor maneira que conseguimos absorve-los.

 

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