Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora

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Quaresma – 5º Domingo

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  • Solene, Cor Roxa, Cr, Prefácio da Quaresma
  • Ofício Solene próprio
  • Tempo da Quaresma
  • 1ª Leitura – (Is 43,16-21)
  • Responsório – Salmo 125
  • 2ª Leitura – (Fl 3,8-14)
  • Evangelho – (Jo 8,1-11)

 

INTROITO: A mim, ó Deus, fazei justiça, defendei a minha causa contra a gente sem piedade; do homem perverso e traidor, libertai-me, porque sois, ó Deus, o meu socorro (Sl 42,1s).

 

Oração: Senhor nosso Deus, dai-nos, por vossa graça, caminhar com alegria na mesma caridade que levou o vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Comunhão: Mulher, ninguém te condenou? – Ninguém, Senhor. – Nem eu te condeno. Vai, não peques mais! (Jo 8,10s)

Celebramos o 5º Domingo da Quaresma, neste sábado, 12/03, às 17:00 e no domingo, 13/03, às 7:00, 8:30, 10:30 e 19:00, na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora.

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O 5º Domingo da Quaresma apresenta uma mensagem diferente, a cada ano litúrgico. O excerto evangélico sempre é retirado do texto de São João e os temas são: a Ressurreição de Lázaro (ano A), o Discurso do Grão de Trigo (ano B) e a Perícope da Adúltera (ano C). Isto é direcionado, pois João centraliza o mistério da Paixão e da Morte (antecipando a Páscoa), assim como Lucas centraliza o mistério da Encarnação (antecipando o Natal, no 4º Domingo do Advento, em todos os anos).

Enquanto neste ano, o texto está centrado no tema da misericórdia divina para com a pecadora e na soberba daqueles que procuravam matá-la, nos outros anos Jesus realiza o milagre em Lázaro e discursa sobre o Grão de Trigo, como prenúncio de sua própria Paixão. De certo modo, este domingo inicia a preparação final para a Sexta-feira Santa e nos anima com mais um fôlego sobre a misericórdia divina. Adiante, descrevemos um pouco sobre o 1º Domingo da Paixão, na antiga liturgia tridentina.

Mensagem

No domingo Laetare (4º Domingo da Quaresma), a parábola do Filho Pródigo apresenta Deus de braços abertos aos arrependidos e mostra que os eleitos não são apenas aqueles tidos por guardiões da lei mosaica, os Fariseus, figurados na pele do filho mais velho.

Esta ideia repete-se no Evangelho de hoje. A mulher culpada de adultério devia ser apedrejada até a morte, uma sentença da lei mosaica que refletia o patriarcalismo e o machismo da sociedade judaica. Os homens tinham prerrogativas e direitos maiores perante a lei, eles eram eleitos e tinham a moral elevada.

A atitude de Jesus é contrária à legislação da morte, inspirada no pacto da aliança (10 mandamentos), o que difere completamente de taxar Jesus como subversivo aos 10 mandamentos, “Magna Carta” daquela sociedade. Ao contrário, o mandamento do amor sobrepõe-se à sentença de morte, e deve gerar o perdão daquela situação violentíssima. Ademais, Cristo enfatiza que todos estamos sujeitos às falhas humanas, nivelando doutores da lei, plebeus, homens e mulheres. Não há prerrogativas a ninguém, aquele que cumpre o mandamento é bem visto por Deus. Novamente, apresentam-se a misericórdia divina e o sentimento de superioridade de setores daquela sociedade,  algo que pode ser facilmente observado em qualquer época, em particular em nosso tempo.

Um último ponto se faz necessário ser discutido: se Jesus é tão misericordioso, então não tem problema pecar?

A isto dá-se o nome de presunção, um pecado relatado como pecado contra o Espírito Santo, algo imperdoável, tratando-se,pois, de um sentimento de não conversão. Ou seja, mesmo que Jesus tenha condenado a soberba daqueles que sentiram-se no direito de julgar e sentenciar a pecadora, isso não a conferiu perdão, mas sim o seu sincero arrependimento. A resposta óbvia: é muito melhor não pecar, e, ao mesmo tempo, não julgar, ao contrário, deve ser fator gerador de compaixão, piedade e empatia. O aprendizado consiste de perdoar sem pecar.

Os santos são aqueles que experimentaram uma vida limpa e demonstraram empatia para com os seus semelhantes, ainda que estes não tivessem a mesma atitude.

Liturgia

No calendário litúrgico antigo, não havia o 5º Domingo da Quaresma, tempo que se encerrava no sábado da sua 4ª Semana. Logo após, iniciava-se o tempo da paixão (Passiontide), com o primeiro domingo da Paixão, as suas férias (atual 5ª Semana da Quaresma), o segundo Domingo da Paixão (Domingo de Ramos), atingindo as liturgias da Semana Santa e, finalmente, o tríduo Pascal: Ceia do Senhor, Paixão e Morte do Senhor e o Sábado Santo (antes do pôr do sol). A Vigília Pascal já faz parte do Tempo Pascal, como sua primeira missa.

O 1º Domingo da Paixão iniciava a teologia e vivência dos acontecimentos imediatamente relativos à morte de Cristo. Este caráter subsistiu na liturgia de hoje, na 5ª Semana da Quaresma, no Domingo de Ramos e na Semana Santa (antes da Vigília Pascal). De fato, começaremos a rezar o prefácio da Paixão I, nesta semana e as leituras desta semana trazem os atributos relativos à Paixão de Jesus (ressurreição de Lázaro, a discussão com os doutores da lei no Tempo, etc).

Deste modo, o tempo que enfatizava a penitência e a conversão eram os 4 domingos da Quaresma, e o “passiontide” já celebrava a Paixão, culminando da Sexta-feira Santa e no Sábado Santo (antes do por do sol). Hoje, a Quaresma termina nas vésperas da Quinta-feira Santa, com a Missa da Ceia do Senhor, que também inicia o Tríduo Pascal, o qual será encerrado no anoitecer do Sábado Santo.

Discussão Histórica

Para além da discussão apresentada, em que se nivelam homens e mulheres no pecado e nas virtudes, a Perícope da Adúltera é polêmico para historiadores e doutores da Igreja, pelo fato de não ser encontrada nos mais antigos manuscritos preservados do Evangelho de João (papiros P66 e P75 e Códex Vaticanus). Acadêmicos religiosos e seculares aceitam que esta passagem foi uma interpolação (acréscimo) posterior e não pertence ao texto original, seja pela sua ausência nos manuscritos anteriores, seja pela diferença estrutural, estilística e temática do excerto, com relação a todo o Evangelho de João.

Esta passagem aparece com força, por volta do século V d.c, e não fora comentada por muitos doutores da igreja até esta época. Além disso, duas prováveis fontes para esta passagem são o Evangelho de Lucas (o mesmo do Filho Pródigo) e o Evangelho perdido dos Hebreus (conhecido apenas por curtas transcrições e comentários), um texto obscuro, mas muito referenciado pelos pais da Igreja, tido como sendo um das fontes de Mateus.

Eusébio de Cesareia, autor da “História Eclesiástica” nos anos 300, faz referência a uma passagem do Evangelho dos Hebreus citada por Papias (século II), a qual tratava de uma mulher apresentada diante do Senhor, com muitos pecados. Evidenciando que este episódio possa ser o mesmo, mas possuindo uma raiz distinta da joanina.

Argumenta-se, ainda, que Papias poderia ter conhecido apenas uma outra versão da história que conhecemos em João e que, possivelmente, outras versões teriam circulado em épocas primitivas do cristianismo.

A maioria das igrejas cristãs aceita esta passagem como inspirada, sem creditá-la ao texto original de João ou ao próprio evangelista. A proximidade entre esta passagem e o material exclusivo do Evangelho de São Lucas (fonte L – encontrada apenas em Lucas) e as importantes, embora escassas, referências reforçam a aceitação desta passagem bíblica.

Por Thiago – Cantinho da Liturgia

Referências

[1] – Portal Dehorianos – https://www.dehonianos.org/

[2] – Portal Pe. Paulo Ricardo – https://padrepauloricardo.org/

[3] – Eusébio de Cesareia – “História Eclesiástica”

[4] – “The Liber Usualis” (1961) (edited by  the Benedictines of Solesmes)

[5] – Michael W. Holmes – “The Apostolic Fathers”

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Leitura do Livro do Profeta Isaías:

16Isto diz o Senhor, que abriu uma passagem no mar e um caminho entre águas impetuosas; 17que pôs a perder carros e cavalos, tropas e homens corajosos; pois estão todos mortos e não ressuscitarão, foram abafados como mecha de pano e apagaram-se: 18‘Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. 19Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca. 20Hão de glorificar-me os animais selvagens, os dragões e os avestruzes, porque fiz brotar água no deserto e rios na terra seca para dar de beber a meu povo, a meus escolhidos. 21Este povo, eu o criei para mim e ele cantará meus louvores.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 125)

Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar; encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios, de canções.

Entre os gentios se dizia: ‘Maravilhas fez com eles o Senhor!’ Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

Mudai a nossa sorte, ó Senhor, como torrentes no deserto. Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria.

Chorando de tristeza sairão, espalhando suas sementes; cantando de alegria voltarão, carregando os seus feixes!

2ª Leitura

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses:

Irmãos: 8Na verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele, 9não com minha justiça provindo da Lei, mas com a justiça por meio da fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, na base da fé.

10Esta consiste em conhecer a Cristo, experimentar a força da sua ressurreição, ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, 11para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos. 12Não que já tenha recebido tudo isso, ou que já seja perfeito. Mas corro para alcançá-lo, visto que já fui alcançado por Cristo Jesus. 13Irmãos, eu não julgo já tê-lo alcançado. Uma coisa, porém, eu faço: esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente. 14Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Evangelho

R: Glória a vós, ó Cristo, Verbo de Deus.

V.: Agora, eis o que diz o Senhor: de coração convertei-vos a mim, pois sou bom, compassivo e clemente (Jl 2,12s).

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando a no meio deles, 4disseram a Jesus: ‘Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?’ 6Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: ‘Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.’ 8E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. 9E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio do povo. 10Então Jesus se levantou e disse: ‘Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou ?’ 11Ela respondeu: ‘Ninguém, Senhor.’ Então Jesus lhe disse:’Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais.’