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Espaço valdocco › 05/06/2015

Espaço Valdocco 37 – Crise vocacional de João Bosco e a decisão de se fazer franciscano.

João Bosco estava por concluir o curso de Humanidades na escola de Chieri. Este era o momento em que, normalmente, os jovens costumavam decidir sobre a própria vocação.

Nas “Memórias do Oratório de São Francisco de Sales”, Dom Bosco contou que, nesta época, o sonho que havia tido aos nove anos ainda estava fresco em sua memória. E que, inclusive, ele havia sido repetido, com algumas pequenas novidades em relação à primeira vez.

Entretanto, este foi um dos períodos de maior crise na vida do nosso fundador. Queria ser padre, sentia que o caminho era esse, mas tinha dúvida profundas a este respeito. Nas mesmas Memórias, Dom Bosco diz que entre as razões desta crise havia a falta de fé que tinha em seus sonhos, o estilo de vida que levava, alguns hábitos de seu coração e, no seu julgamento, a falta de algumas qualidades que seriam necessárias para um bom padre. Ou seja, o jovem João Bosco sofria por sentir que não tinha o perfil adequado e a santidade necessária para ser um sacerdote.

Quanto ao sonho dos nove anos, João dá a entender que só podia tirar uma conclusão deles: a que estava sendo chamado ao sacerdócio. Seria uma resposta lógica, já que esta vocação também correspondia às inclinações íntimas do seu coração. No entanto, o sonho não era exatamente o argumento decisivo que João esperava. Permanecia seguindo o conselho da sua avó, recebido no dia seguinte ao sonho dos nove anos: “Não se deve dar crédito aos sonhos”.

Também havia um conflito interno que influenciava fortemente no seu discernimento vocacional. João Bosco julgava que ainda era muito orgulhoso, especialmente por conta das suas muitas habilidades, qualidades e popularidade entre os colegas. Sabia que não era uma pessoa má, porém acreditava estar marcado por esta estima muito elevada de si mesmo. Acreditava, por isso, que não teria a humildade necessária e indispensável para ser um sacerdote santo.

Seu maior lamento, porém, era não poder contar neste momento com um guia, com um amigo da alma que o pudesse orientar neste discernimento. O interessante neste episódio é que Dom Bosco possuía um confessor regular. Era o Pe. José Maria Maloria, que também era seu professor no colégio de Chieri. No entanto, por motivos que desconhecemos, ele se recusou a falar sobre este assunto quando foi questionado por João. Anos depois, ao comentar sobre este tempo, Dom Bosco lembra como foi perigosa esta falta de acompanhamento, que poderia ter resultado numa escolha e num discernimento errado de sua vocação.

Sem referências, sem o apoio de alguém que o ajudasse a refletir sobre o seu projeto de vida, João Bosco leu um livro que falava sobre a escolha vocacional. Acabou decidindo por fazer o pedido para entrar na Ordem Franciscana. Havia em Chieri o Convento da Paz, no qual João Bosco poderia ingressar sem ter que ficar muito longe de sua casa. Além disso, tinha um certo receio em entrar para o seminário diocesano por conta das suas inclinações de personalidade mencionadas anteriormente. Escreveu Dom Bosco nas “Memórias do Oratório”:
– Se me faço sacerdote secular – dizia de mim para mim – a minha vocação corre grande perigo de naufrágio. Abraçarei o estado eclesiástico, renunciarei ao mundo, entrarei para o claustro, entregar-me-ei ao estudo, à meditação, e assim na solidão poderei combater as paixões, especialmente a soberba, que deitou profundas raízes no meu coração.

É preciso ressaltar também que este temor de João está situado em um contexto muito específico, no qual o clero de Turim passava por algumas dificuldades em relação ao empenho na vivência do ministério por alguns sacerdotes da época. Eram situações geradas pelos conflitos político-religiosos que marcaram a Itália do século XIX. João está em um momento muito difícil nos âmbitos social e moral, frutos do recente domínio de Napoleão na Europa, especialmente no Piemonte.

Também havia, é claro, a questão financeira. Na época de Dom Bosco, para entrar no seminário havia um custo para a pensão. Até aquele momento, João se mantinha como podia, à custa de sacrifícios e de renúncias. Mas e no seminário? Estando lá, não poderia ter um trabalho fora. Sua família era pobre. Quem pagaria a pensão do seminário?

De tudo isso, entendemos que a crise de João não era sobre ser ou não ser padre. Mas sim se deveria ser um religioso ou um padre diocesano. João sabia que ao entrar nos franciscanos também se submeteria ao voto de obediência. Isso significaria que correria o risco de não ser padre, caso a Ordem julgasse que ele não tivesse a vocação sacerdotal.

Entretanto, a leitura de João certamente o convenceu dos “perigos” para os quais ficaria exposto no seminário diocesano. A sua responsabilidade seria, portanto, enorme e ele teria que prestar contas de tudo isso a Deus. No convento, por outro lado, entendia que viveria em um paraíso de refúgio para todos os perigos do mundo. Pensava que lá existira maior facilidade para salvar a própria alma e conservar a paz.

João Bosco foi aceito no Convento da Paz de Chieri como postulante da Ordem Franciscana, em abril de 1834.

TEXTO: Pe. Glauco Félix Teixeira Landim, SDB
e-mail: glauco.bsp@salesianos.com.br – Facebook: www.facebook.com/glaucosdb

ADAPTAÇÃO E LOCUÇÃO: Domingos Sávio

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