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Espaço Valdocco 28 – A Sociedade da Alegria: uma maneira de evangelizar os colegas.

No texto anterior, vimos como João Bosco selecionava criteriosamente as suas amizades. Fugia das más companhias e só nutria maior familiaridade com aqueles que também davam bom exemplo de conduta e de vida cristã.

Entretanto, com a sua maneira amável e alegre de ser – e também por sua notável inteligência – João conseguiu conquistar a simpatia de grande parte dos seus colegas de escola, inclusive aqueles que eram mais descuidados com os estudos. Estes começaram a procurar por João, para que ele lhes ajudasse nas tarefas.

João atendia estes pedidos, chegando até mesmo ao exagero de passar traduções completas por debaixo das carteiras. Isso tudo deixou seu professor muito nervoso, até proibir severamente estas “ajudas” já que acabava mais por incentivar a preguiça dos seus alunos do que propriamente contribuir com o aprendizado.

Esta proibição era justa, porém deixava contrariado o coração de João que, no fundo, queria bem os seus colegas e desejava continuar a ajudá-los.

Aconteceu um dia que alguns de seus companheiros, que moravam na mesma pensão, seja por não saberem ou seja por não poderem fazer, pediram que João lhes deixasse copiar o seu trabalho. De um lado, Bosco não queria desobedecer seu professor. Mas, por outro lado, não queria que seus colegas fossem castigados por não conseguirem levar as suas tarefas para a aula. Pensou, então, em uma estratégia: deixou propositalmente o seu trabalho aberto sobre a mesa da pensão e se retirou. Os seus colegas, aproveitando a situação, copiaram todo o trabalho de João.

No dia da aula, todos apresentaram os seus trabalhos ao professor que foi se enfurecendo à medida que os lia e percebia que todos eram exatamente iguais. Naturalmente, a primeira suspeita caiu sobre João que defendeu-se dizendo que não tinha deixado de obedecer nenhuma das ordens que havia recebido. Mas que havia esquecido seu trabalho sobre a mesa. E que talvez seus colegas tivessem copiado neste momento, o que não seria culpa sua.

O professor, conhecedor da índole boa de João, compreendeu tudo o que havia acontecido e acabou por admirar a sua obediência, bondade de coração e claro, a sua esperteza, nesta situação. Depois que a aula acabou, quis falar a sós com João:

– Não fico bravo com o que você fez. Mas peço que não faça novamente.

O mestre entendia que João, na realidade, tinha a reta intenção de atrair para o bem aqueles seus colegas, com o seu afeto e disponibilidade.

Naquele dia Bosco voltou para a casa pensando: como então posso ajudar meus colegas sem desagradar ao professor e sem prejudicá-los? Para resolver este problema, começou a convocar a todos para reuniões nas quais explicava melhor as lições da escola e ajudava cada um, com as suas dificuldades.

Com estas reuniões, acabava por agradar a todos e conquistava ainda mais seus companheiros pela sua benevolência, afeto e estima. As reuniões passaram a ser não só para estudar, mas também para divertirem-se. Depois, começaram a se interessar em ouvir as histórias que João contava. Com o tempo, se reuniam regularmente para fazerem todos os deveres de classe que precisavam dar conta. E por fim, acabaram por reunirem-se todos os dias apenas para estarem com João, sem motivo específico, assim como acontecia anos antes, com os amigos de Murialdo e de Castelnuovo.

João deu um nome para estas reuniões: Sociedade da Alegria. Todos que faziam parte dela estavam comprometidos em buscar livros, a conversarem e a trazerem jogos que contribuíssem para que todos cultivassem a alegria. Também se empenhavam em deixar de lado tudo o que era ruim, especialmente aquilo que fosse contra a lei de Deus. Aquele que, por exemplo, blasfemasse ou dissesse o nome de Deus em vão, ou mesmo que tivesse más conversas, era despedido imediatamente da sociedade.

Quem olhava aqueles garotos reunidos, via animadíssimas partidas de malhas, pernas-de-pau, saltos e corridas. Via João Bosco, depois que todos se cansavam, subir em uma mesinha e fazer alguns truques de mágica. E como acontecia nos Becchi, toda aquela alegria era completada por um momento de oração.

Às vezes, sempre chefiados por João, saíam a passeio pelas colinas de Turim. Outras vezes iam para o centro da capital, para passear pelas ruas. Ninguém se assustava com os 25 km de caminhada para a ida e para a volta. Em outros dias, especialmente naqueles de muito calor, se contentavam em encontrar uma sombra perto de uma pequena ponte que havia na saída da cidade, apenas para assistir as apresentações de João.

João estava à frente daquele grupo de rapazes. De comum acordo, estabeleceram como base da “Sociedade da Alegria” estas duas regras: 1) os membros da Sociedade da alegria devem evitar toda conversação, todo ato que seja incoerente para um bom cristão; 2) devem ser exatos no cumprimento dos deveres escolares e religiosos.

A sociedade tinha suas reuniões ora na casa de um, ora na casa de outro. Falava-se de todos os assuntos, mas especialmente sobre religião. No domingo à tarde, nada os fazia esquecerem-se do catecismo. João os levava para a igreja dos jesuítas e ali participavam de uma catequese ilustrada com bonitas histórias que os padres de lá sabiam contar.

Nas “Memórias do Oratório de São Francisco de Sales”, Dom Bosco testemunha que neste ano de 1833 (João menciona 1832, mas provavelmente é 1833), era para os seus colegas como que o capitão de um exército. Era procurado por colegas de todos os lugares para se divertirem ou para obterem ajuda com as lições da escola.

Além de fazer o bem para estes seus companheiros, João desenvolvia suas habilidades pastorais, sempre muito animado e criativo; treinava sua liderança e especialmente formava o espírito que depois irá ser a alma da sua obra educativa.

TEXTO: Pe. Glauco Félix Teixeira Landim, SDB
e-mail: glauco.bsp@salesianos.com.br – Facebook: www.facebook.com/glaucosdb

ADAPTAÇÃO E LOCUÇÃO: Domingos Sávio

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