Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora

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Espaço Valdocco 21 – “Se eu for sacerdote, serei muito diferente”.

No tempo de estudos em Castelnuovo, João Bosco não descuidou da sua vida espiritual. Pelo contrário, buscava viver o seu amor a Deus em todas as oportunidades que encontrava.

Colocava todo o seu empenho em tudo o que precisava fazer, mesmo nas coisas menos importantes. Tinha prudência no falar: pensava bem antes de dizer alguma coisa. Quando tomava alguma decisão, ninguém conseguia fazê-lo desistir.

E o mais interessante: sem que pudessem dar conta disso, os seus companheiros, aos poucos, modelavam a sua própria conduta de acordo com o modelo deste amigo exemplar. João, por sua vez, esforçava-se para ganhar cada vez mais o coração de cada um deles. Quando ia para sua casa, nos Becchi, sempre levava frutas para presentear os seus amigos. Estes, com muita gratidão, escutavam com gosto o que João lhes dizia sobre religião. Sempre recomendava a devoção filial a Maria Santíssima.

Este foi o tom da vida de João Bosco nestes anos que marcaram o início da sua adolescência. Assim conservou uma ótima imagem entre as pessoas de sua terra natal. Mesmo entre os sacerdotes com quem teve contato, que testemunhavam a sua perseverante e excelente conduta, além do seu desejo explícito de se tornar um grande apóstolo e missionário para fazer muito bem às almas.

Entretanto, apesar desses bons pareceres, é preciso lembrar que João ainda continuava a guardar uma certa tristeza em relação a alguns sacerdotes com quem tinha contato. Era como um “espinho no seu coração” o fato de não poder ter uma relação próxima e familiar com os sacerdotes de seu povoado.

O pároco de Castelnuovo era o Pe. Bartolomeu Dassano, homem verdadeiramente santo, culto, caridoso e exato cumpridor de seus deveres. Mas mantinha uma postura comedida e pouco acessível para os jovens. Os demais sacerdotes mantinham a mesma reserva que, claro, não era tanto pelo temperamento de cada um, mas fruto da formação recebida na época, nos seminários.

João, no entanto, já sabia desde aquele tempo a necessidade que os jovens possuem de uma ajuda amorosa. Sabia que se os jovens percebessem que alguém realmente se preocupasse com eles, lhes entregaria a confiança e os cuidados de suas vidas. Aliás, o próprio Joãozinho Bosco experimentava, em sua própria vida, esta necessidade.

João frequentemente encontrou com o seu pároco, acompanhado do vigário. Chegava até mesmo a ficar esperando em lugares pelos quais sabia que os dois sacerdotes passariam em determinado horário. Sentia um grande desejo de aproximar-se deles e de ouvir uma palavra de confiança. Queria ser estimado por eles.

Apenas João via os dois sacerdotes, mesmo de longe, acenava e, ao chegar perto, fazia timidamente uma reverência. O pároco devolvia a saudação com toda a seriedade e cortesia… E continuava o seu caminho. Mas jamais concedeu uma palavra afável, que pudesse corresponder à expectativa de João.

Naquele tempo se entendia que esta postura era a mais adequada para os sacerdotes. Essa “distância” era vista como uma forma de enfatizar o respeito que era devido à pessoa do padre e a seriedade inerente ao seu estado de vida. No entanto, para João e certamente para muitos outros jovens, este “respeito” produzia muito mais temor do que amor.

O Pe. João Batista Lemoyne, secretário pessoal e autor dos nove primeiros volumes das Memórias Biográficas, nos disse que o próprio Dom Bosco lhe contou que, muitas vezes, chorando, falava a si mesmo e aos outros: “Se eu for sacerdote, vou ser muito diferente: vou me aproximar das crianças, vou chamá-las para o meu lado, vou fazer com que me estimem, lhes direi uma boa palavra, lhes darei bons conselhos e vou me entregar por completo pela sua eterna salvação. Quão feliz eu seria, se eu pudesse me entreter, nem que fosse um pouquinho, com meu pároco. Tive este consolo com o Pe. Calosso: por que não posso tê-lo com outros?”.

Joãozinho também desabafava estes sentimentos com Mamãe Margarida, que conhecia muito bem o coração do seu filho e era mulher capaz de apreciar tais sentimentos:

– O que vamos fazer? – dizia Margarida – são homens de muita ciência, ocupados em pensamentos sérios e não sabem adaptar-se para falar com um garoto como você.

– Mas o que lhes custaria dizer-me uma boa palavra, deter-se um momento comigo?

– E o que gostaria que lhe dissessem?

– Algum bom pensamento para o bem da minha alma.

– Eles já têm bastante o que fazer no confessionário, no púlpito e nas demais ocupações paroquiais…

– E nós, os pequenos, não somos também suas ovelhas?

– Sim, é verdade; mas eles não têm tempo a perder.

– E Jesus, perdia tempo quando se entretia com as crianças? Quando reunia os apóstolos que queriam colocá-las longe e lhe dizia para deixarem chegar perto porque delas é o Reino dos céus?

– Não, não nego e até lhe dou razão. Mas o que podemos fazer?

– Você verá: se chegar a ser sacerdote, quero consagrar toda a minha vida aos pequenos; nunca me verão distante deles! Serei o primeiro a falar com eles.

TEXTO: Pe. Glauco Félix Teixeira Landim, SDB
e-mail: glauco.bsp@salesianos.com.br – Facebook: www.facebook.com/glaucosdb

ADAPTAÇÃO E LOCUÇÃO: Domingos Sávio

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