Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora

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Espaço Valdocco 16 – Um pai para Joãozinho Bosco

Joãozinho Bosco passou um ano espetacular com o Pe. João Calosso! Um tempo de sua vida que irá lembrar pelo restos dos seus dias e sempre com muita emoção.

Ele simplesmente havia encontrado o padre que sempre havia sonhado: bom, simples, paterno e ao mesmo tempo alguém que possuía uma espiritualidade tão profunda que era sábio em suas orientações e firme nas suas atitudes.

De fato, Dom Bosco chegou a relatar que quando era criança ficava triste com a distância mantida pelos padres que encontrava. Se os cumprimentava na rua, a resposta era apenas um gesto discreto com o chapéu. Sentia muito não poder conversar com os sacerdotes, expor-lhe seus sentimentos, ser amigo deles.

Com o Pe. Calosso teve aulas de gramática italiana por três meses. Depois começou a estudar o latim. O caminho de ida e de volta da casa do Pe. Calosso serviam para estudar a matéria. Andava com os olhos no livro, buscando aprender as declinações do latim. Dedicou-se tanto que, chegada a Páscoa, já tinha aprendido todas as lições do livro.

Tudo ia bem até chegar a primavera. Antônio voltou a reclamar que só ele fazia o trabalho pesado da casa, enquanto Joãozinho perdia tempo estudando. As grandes discussões retornaram até que se decidiu, pela paz, que João iria bem cedinho estudar e depois empenharia o resto do dia aos trabalhos da casa.

Mas nem isso acabou com as brigas. Mesmo Joãozinho trabalhando com o máximo de esforço que podia, bastava vê-lo com um livro na mão que Antônio já se enfurecia. Certo dia arrancou um livro com violência das mãos de João e o atirou contra a parede, gritando: “Já te disse cem vezes que não quero ver você com livros! Você nasceu para ser lavrador como eu; põe isso na sua cabeça!”

Mamãe Margarida ficava cada vez mais aflita ao ver que esta tensão em casa não se resolvia. Joãozinho Bosco chorava. E o Pe. Calosso, informado de toda esta situação, chamou certo dia seu aluno e lhe disse:

– Joãozinho, puseste em mim tua confiança e não quero que isso seja inútil. Deixa, pois, esse irmão malvado, vem comigo e terás um pai amoroso.

O pequeno João saiu correndo para a sua casa, comunicar para a sua mãe o caridoso convite que havia recebido. Mamãe Margarida sente alegria e alívio. No mês de abril, João passa a ficar na casa de Pe. Calosso, voltando para os Becchi só a noitinha, para dormir.

O coração de Joãozinho Bosco também explodia de alegria. O Pe. Calosso se tornava a grande referência para ele. Um menino que, tendo perdido aos dois anos o seu pai, encontrava agora, doze anos depois, um modelo paterno seguro e próximo.

Por conta deste afeto, Dom Bosco narra nas suas memórias que para ele era um prazer trabalhar para o Pe. Calosso. Ele daria a vida por qualquer coisa que fosse do agrado de seu protetor. Sentia que fazia muito mais progresso passando um dia com o capelão do que em uma semana na sua casa.

Do lado do Pe. Calosso, o afeto era o mesmo. Tanto que chegou a dizer mais de uma vez para Joãozinho:

– Não te preocupes com o teu futuro. Enquanto eu estiver vivo, nada te faltará. Se morrer, haverei de providenciar da mesma forma.

Tudo ia muito bem para Joãozinho. Dava passos realmente concretos em direção à realização da sua vocação sacerdotal. Não havia mais nada que pudesse desejar.

Um desastre, no entanto, veio para interromper a felicidade de João. Não perca a continuação desta história na semana que vem.

TEXTO: Pe. Glauco Félix Teixeira Landim, SDB
e-mail: glauco.bsp@salesianos.com.br – Facebook: www.facebook.com/glaucosdb

ADAPTAÇÃO E LOCUÇÃO: Domingos Sávio

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