Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora

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Espaço Valdocco 15 – Um amigo inesperado.

Em 1829, Joãozinho Bosco tinha 14 anos, depois de ter passado três anos trabalhando na casa da família Moglia. Ele agora está de volta à sua casa, junto de sua mãe, mas sem ideia alguma de como poderia prosseguir com os seus estudos e com o seu projeto de ser padre.

No dia 5 de novembro daquele ano, Joãozinho caminhava de Buttigliera (distante 3 km de Castelnuovo) até Morialdo. Ele havia se dirigido para lá a fim de participar da pregação dos missionários em preparação ao Jubileu que o recém-eleito papa Pio VIII havia convocado. Dom Bosco conta em suas memórias que era grande a fama destes pregadores e que eles costumavam atrair muita gente para ouvir as suas práticas. Havia uma instrução e uma meditação ao final da tarde. Depois todos voltavam para as suas casas.

João não podia prever que Deus havia reservado um grande presente para ele neste dia. Tratava-se do Pe. João Melchior Calosso, 70 anos, capelão de Morialdo. Era um padre experiente e bondoso, que se impressionou com o menino baixinho, com a cabeça descoberta, de cabelos crespos e encaracolados, que caminhava no meio dos outros. Ele não pôde deixar de falar com Joãozinho Bosco:

– “De onde vens, meu filho? Por acaso você também foi à missão?

– Sim, senhor, fui ouvir a pregação dos missionários.

– Será que você entendeu alguma coisa? A sua mãe, quem sabe, não poderia lhe fazer uma pregação mais oportuna?

– É verdade, mamãe faz-me muitas vezes bons sermões; mas eu também gosto de ouvir os missionários; e creio que os entendi muito bem.

– Se você for capaz de repetir quatro frases das práticas de hoje, lhe dou 4 soldos.

– O Senhor quer frases da primeira ou da segunda pregação?

– Como quiser, contanto que me digas quatro frases. Você consegue lembrar de que é que se falou na primeira pregação?

– Na primeira pregação se falou da necessidade de dar-se logo a Deus e não deixar a conversão para mais tarde.

– E que foi que o padre disse no sermão?” – neste momento, o Pe. Calosso já se encontrava maravilhado com a desenvoltura do menino.

– Lembro-me muito bem, e se quiser recito todo o sermão.”

E muito tranquilamente, João lembrou todo o sermão, como se estivesse lendo em um livro. Depois de quase meia hora de exposição, o Pe. Calosso não conseguia mais segurar a emoção:

– “Como se chama? Quem são teus pais? Já estudou muito?

– Eu me chamo João Bosco; meu pai morreu quando eu era criança. Minha mãe é viúva e tem quatro bocas para alimentar. Aprendi a ler e também a escrever um pouquinho.

– Gostaria de estudar latim?

– Sim, muito!

– E por que não estuda?

– Meu irmão Antonio… Ele não quis ir à escola, diz que não quer que outros percam tempo em estudar como ele perdeu. Mas se eu pudesse ir, bem que estudaria e não haveria de perder tempo.

– E para quê você gostaria de estudar?

– Para ser padre!

– E por que motivo quer se tornar padre?

– Para atrair a mim os meninos, falar-lhes, ensinar a religião a tantos companheiros meus que não são maus, mas se tornarão tais porque ninguém cuida deles.”

O Pe. Calosso ficou muito impressionado com tudo o que ouviu desde o início da conversa. Quando se chegou a um trecho do caminho onde os dois deveriam se separar, disse a João:

– “Coragem. Vou pensar em ti e em teus estudos. Vem ver-me domingo com tua mãe e combinaremos tudo.”

No dia combinado, Pe. Calosso disse a Mamãe Margarida:

– “Seu filho é um prodígio de memória. É preciso que o ponha a estudar logo, sem mais perda de tempo. Eu estou velho, mas tudo quanto puder fazer, farei.”

Ficou combinado então que o Pe. Calosso daria aulas diariamente a João. O resto do dia seria empregado para o trabalho, a fim de satisfazer o seu irmão Antonio.

Joãozinho Bosco, enfim, encontrara o que há muito tempo estava procurando: um acolhimento paterno, segurança e esperança.

TEXTO: Pe. Glauco Félix Teixeira Landim, SDB
e-mail: glauco.bsp@salesianos.com.br – Facebook: www.facebook.com/glaucosdb

ADAPTAÇÃO E LOCUÇÃO: Domingos Sávio

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