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Artigos › 20/05/2020

A missão da Igreja Missionária em tempos de pandemia

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Ensina-nos o Documento Lumen Gentium (LG) que a missão da Igreja é ser o lugar, o espaço, a comunidade onde a humanidade pode encontrar Deus em Jesus Cristo e ser santificada no seu Espírito Santo. Por isso, a Igreja, preparada pelo Pai, fundada pelo Filho e continuamente santificada pelo Espírito, é semente do Reino de Deus que nela já atua misteriosamente. É nela que se experimenta, de modo mais intenso, o Reino trazido por Jesus!

Para ser o lugar, o espaço e a comunidade onde a humanidade possa encontrar Deus, ela se utiliza de alguns sinais visíveis e fundamentais para que Deus seja revelado. Vou comentar dois sinais privilegiados da revelação de Deus ao mundo: a liturgia e a caridade.

As duas tem a mesma importância e valor. Existem momentos que a liturgia, com as celebrações dos sacramentos e a proclamação da Palavra são fundamentais. Por ela, as pessoas vão crescendo no conhecimento de Jesus Cristo. A liturgia se torna catequese e forma de atingir o coração das pessoas numa proximidade amorosa para com Deus e o seu Reino. Diante disso, não podemos nunca deixar que nossas liturgias sejam vazias e superficiais, desencarnadas da realidade de nosso povo.

Uma segunda forma de revelação de Deus, de igual importância, é a caridade. Jesus nos ensinou em Mateus 25, que estaria presente nos sofredores, nos famintos, sedentos, nos desabrigados, nos enfermos e nos presidiários. Nestes e em outros irmãos que sofrem, Jesus está se revelando e presente. Portanto, ao servir estes irmãos a Igreja também revela Deus à humanidade.

Neste tempo de pandemia, em que somos obrigados a evitar aglomeração e que nossas liturgias tornaram se virtuais e não mais presenciais, os sacramentos foram adiados, a catequese, quando não virtual, nem pode ser transmitida, resta-nos evangelizar, assumir nossa missão pela caridade. Ela é o lugar em que Cristo está chamando a “Igreja em saída”, no momento, a levar a luz do Cristo às pessoas. Missão é sempre sair, é saber-se e sentir-se enviado por Deus. O Papa Francisco dizia em novembro de 2013 “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças”. Por isso, evangelizar é sempre correr riscos. Os primeiros apóstolos tiveram que entregar a vida para anunciar o evangelho.

Com todo cuidado que o tempo pandemia exige de nós, como cristãos batizados, não tenhamos medo de evangelizar pela caridade. A prática da caridade dá testemunho de que somos Igreja e Igreja missionária.

Jesus nos ensinou que o que vai nos salvar no final de nossa vida é a caridade. São Paulo diz na Carta aos Coríntios que, no final, só nos restará a caridade (cf. cap. 13). A liturgia, os sacramentos, a catequese e a Palavra de Deus, nos fortalecerão para vivermos melhor a caridade que hoje tem o nome de solidariedade e que, pelo que me parecer, é a melhor forma de evangelizar neste tempo de pandemia.

Saindo de nós mesmos e de nossas pequenas seguranças, indo ao encontro do irmão que sofre, cumpriremos o mandato de Jesus que nos deu o exemplo ao doar sua vida e que ressuscitado não nos deixou sozinhos. Nos enviou o Defensor (Paráclito) e disse que estaria conosco todos os dias até o fim do mundo (Mt, 28, 20).

Por Dom Manoel Ferreira dos Santos Junior – Bispo de Registro (SP), via CNBB

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