“Deus mostrou grande amor para com a Família Salesiana de Dom Bosco enriquecendo-a com a santidade.

Sacerdotes, leigos e consagrados, jovens e adultos da Família, membros empenhados na educação e na evangelização, construtores do quotidiano e apóstolos chamados ao heroísmo do martírio encontram riqueza de inspiração entre os nossos santos.

É admirável o que a graça do Espírito Santo opera nos corações dos que o acolhem e se tornam disponíveis a Ele! Difundindo o seu amor, leva à caridade perfeita e à união cada vez mais profunda todos aqueles que acolhem seu dom.

A comunhão que entendemos realizar como Família tem na santidade, procurada com constância, o aspecto mais rico da nossa partilha.”(Carta de Comunhão da Família Salesiana, art. 38).

Os santos são (segundo Dom Bosco):
Estrelas… Vulcões…
Romances … escritos pelo Espírito Santo….
Cosmonautas do espaço…
Gigantes tão diversos de nós…
Sujeitos a erros e insucessos…
Sempre humanos…
Companheiros de caminhada….
Sinais da absoluta gratuidade de Deus…
Caminharam ao redor do essencial…
Milagres viventes…
Profetas do absoluto…
Loucos por Deus…
Portadores de mensagens eternas…
Homens e mulheres de pleno sucesso…
Testemunhas da harmonia entre natureza e graça…
Palavras de fogo que Deus pronuncia para sacudir a nossa indolência….
Heróis desapegados do humano…
Verdadeiros mestres de psicologia..

Madre Mazzarello 1

Santa Maria Domingas Mazzarello (1837-1881)

Beatificada em 20/11/1938
Canonizada em 24/06/1951

Foi em Mornese, situado no norte da Itália, na região de Monferrato, que no dia 9 de maio de 1837, nasceu Maria Domingas Mazzarello, filha de José Mazzarello e de Maria Madalena Calcagno. Foi a primeira de 10 filhos.

Desde muito cedo, Main – apelido de Maria Mazzarello – ajudou a cuidar de seus irmãos menores e dos afazeres domésticos. Começou a frequentar as aulas de catecismo e a sobressair-se. Em 1850 fez a primeira comunhão. Aos 16 anos, já ajudava seu pai no trabalho dos vinhedos. Já se notava nela forte caráter e espírito de liderança e a capacidade de ter pessoas sempre ao seu redor.

Em 1860, o tifo abateu a vila de Valponasca. A família de seu tio foi uma das primeiras a contrair a doença. Maria vai ajudá-los, mesmo sabendo que poderia adoecer o que realmente aconteceu. Mazzarello vê o rumo de sua vida mudar quando contraiu tifo. Não podendo mais trabalhar no campo, decide aprender a costurar para ensinar as jovens da sua pequena cidade. Com suas amigas, monta uma sala de costura e começa a ensinar o ofício.

Certa vez, ao caminhar pela colina de Bargo Alto, vê diante de si um alto edifício com muitas meninas correndo, brincando num grande pátio interno e ouve nitidamente estas palavras: Tome conta destas meninas!

Quase todos os dias, bem cedo, Maria descia de Valponasca para frequentar a missa, acompanhada de sua irmã e outras moças. No inverno, esse percurso ficava ainda mais difícil, devido ao frio e à neve. O pároco, Padre Pestarino, muitas vezes chamava o povo para orações e bênção eucarística também à noite. Maria não podia ir, mas encontrava um meio de participar de tais reuniões, através de uma janelinha da casa, da qual podia avistar a fraca claridade das velas acesas, refletidas nos vitrais da igreja.

A partir de 1853, passou a frequentar a Pia União da Imaculada, organizada por sua amiga Ângela Maccagno, juntamente com outras moças da comunidade. Tinha a finalidade de consagrar sua vida a Deus, cultivando a modéstia, o recato, a amabilidade e a paciência. Instruída pelo pároco, Ângela preparou uma regra de vida, que foi enviada a Gênova, para aprovação. O grupo reunia-se na casa da fundadora onde eram feitas leituras espirituais e reflexões sobre o modo de agir. Mesmo faltando um regulamento definitivo, este grupo crescia e motivava a vida religiosa feminina de Mornese.

Neste mesmo período, em Turim (1854), Dom Bosco e alguns padres fundaram a Sociedade de São Francisco de Sales, os Salesianos.

O grupo começa, oficialmente, em 1855. Em 20 de maio de 1857, o bispo de Acqui, Dom Contratto, aprovava definitivamente seu regimento. Padre Pestarino era o orientador do grupo e Ângela era a superiora natural, tratada assim por todas.

Com a amiga Petronilla, Maria resolve aprender costura e abrir um salão para ensinar o ofício para as meninas pobres. E assim aconteceu. Logo, as famílias começaram a mandar-lhe as filhas e as aulas de costura tornaram-se aulas de treinamento na virtude. Um dia, um senhor viúvo, entregou-lhe suas filhas para que as educasse. Logo, a oficina passou a ser um novo lar para as várias meninas, que viam em Maria sua segunda mãe. Com o passar do tempo, todos os domingos, após a missa, na praça da igreja, outras crianças se uniam a Maria e a Petronilla, para brincar e divertir-se.

Em 1864, Dom Bosco chegou a Mornese com seus meninos e todos queriam vê-lo e ouvi-lo. Maria foi encontrá-lo. Dom Bosco comentou sobre seu projeto: construir um colégio para seus meninos. Antes de partir dirigiu palavras especiais às Filhas de Maria Imaculada e ficou conhecendo a iniciativa de Maria e Petronilla, a oficina de costura, o orfanato e a recreação aos domingos para todas as crianças da vila. Dom Bosco se empolgou com o trabalho delas e propôs a fundação de um instituto feminino com o mesmo objetivo dos Salesianos.

Padre Pestarino, que se tornara Salesiano, foi chamado a Turim e recebeu a notícia de que o Papa havia aprovado o projeto de Dom Bosco: fundar uma congregação feminina. Como em Mornese estavam as iniciantes, determinou que o colégio em construção fosse delas. Mazzarello vê assim, a concretização de um sonho: fazer pelas meninas o que Dom Bosco vinha fazendo pelos meninos.

Em 5 de agosto de 1872, na Capela do Colégio, 11 filhas de Maria Imaculada fazem os votos religiosos e se consagram a Deus. São as primeiras Filhas de Maria Auxiliadora. Outras 4 recebem o hábito em março do ano seguinte. Com o passar do tempo, chegam novas postulantes e o colégio tem necessidade de professoras. Algumas delas aderem à Congregação, tocadas pela mão de Deus.

Em 1874, um grupo parte para uma nova fundação em São Martinho. Em 1877, Dom Bosco pede voluntárias para as missões na América Latina. Em Nizza, Monferrato, Dom Bosco adapta para as meninas, um antigo convento franciscano. É instalado assim, o colégio Nossa Senhora das Graças, como Casa Central das Filhas de Maria Auxiliadora.

Maria Mazzarello se mostra sempre empenhada na animação da comunidade de Irmãs e na educação de crianças, adolescentes e jovens. Cultiva com sabedoria a união entre todos. Ocupou-se com a abertura de novas casas na Itália e além mar. Em 1881 sabendo que seu fim está próximo envia Madre Josefina para a América como representante sua.

No 14 de maio de 1881 Madre Mazzarello parte deste mundo. Sua breve vida – 44 anos – é, porem, uma chama de amor contagiante que ilumina ainda hoje a sua Família Religiosa. Suas filhas – as Filhas de Maria Auxiliadora – presentes nos 5 continentes continuam atuando no espaço-educação em todo mundo, fiéis ao carisma da fundação, à identidade que lhes é própria e à missão que lhes cabe no coração da Igreja.

Seus restos mortais são venerados na Basílica de Maria Auxiliadora, em Turim.

Oração a Madre Mazzarello

Ò Santa Maria Mazzarello vi no teu rosto a paz serena de quem muito amou a juventude. Vi a alegria de quem só fez o bem espalhando esperanças e amor. Vi a coragem da mulher forte que lutou por um mundo mais humano e mais feliz, trilhando o caminho de Jesus. Ensina-nos a alegria pura que brilha nos olhos porque vem de dentro, da sabedoria do Espírito.

 

separador

Callisto Caravario

São Callisto Caravario (1903-1930)

Beatificado em 15/05/1983
Canonizado em 01/10/2000

Nasceu em Cuorgnè (Turim) no dia 18 de junho de 1903. Em 1921, encontrando-se com Dom Versiglia em Turim lhe disse: “Irei ao seu encontro na China”. Cumpriu a palavra, dois anos depois.

Ordenado sacerdote, sempre fidelíssimo à sua consagração religiosa e animado por uma caridade sempre mais ardente, acompanhava Dom Versiglia na visita pastoral, no distrito de Lin Chow, juntamente com dois professores, duas catequistas e uma aluna, quando, no dia 25 de fevereiro de 1930, num trecho isolado do rio todos foram assaltados por piratas comunistas.

Na tentativa de proteger as jovens – que conseguiram escapar – os dois missionários foram brutalmente espancados e depois fuzilados, por ódio à fé cristã que exalta a virgindade.

Junto com Luís Versiglia foram proclamados Santos por João Paulo II em 1º de outubro de 2000. Em 30 de junho de 2005 a Congregação para o Culto Divino estabeleceu elevar ao grau litúrgico de “festa” a sua “memória”, transferindo a data da celebração de 13 de novembro (que recordava o dia em que, em 1875, partia de Gênova a primeira expedição missionária salesiana para Buenos Aires) para 25 de fevereiro, que é a data do martírio deles, trazida também no Martirológio romano

 

separador

San_Luigi_Versiglia_AA

São Luís Versiglia (1903-1930)

Beatificado em 15/05/1983
Canonizado em 01/10/2000

Nasceu em Oliva Gessi (Pavía) no dia 05 de junho de 1873; aos doze anos foi recebido por Dom Bosco.

Ordenado sacerdote em 1895, durante dez anos foi mestre de noviços em Genzano de Roma.

Em 1906 chefiou a primeira expedição salesiana à China, realizando assim uma repetida profecia de Dom Bosco. Tendo fundado em Macau a “casa mãe” salesiana, abriu a missão de Shiu Chow e, no dia 22 de abril de 1920, foi sagrado seu primeiro Bispo.

Sábio e incansável, verdadeiro pastor todo dedicado ao seu rebanho, deu ao Vicariato uma sólida estrutura com um seminário, casas de formação, várias residências, orfanato, asilo para idosos.

Demonstrando ser mais pai do que homem de autoridade, dava o exemplo do trabalho e da caridade que nada ordena sem antes ter medido as forças dos co-irmãos.

Junto com Callisto Caravario foram proclamados Santos por João Paulo II em 1º de outubro de 2000. Em 30 de junho de 2005 a Congregação para o Culto Divino estabeleceu elevar ao grau litúrgico de “festa” a sua “memória”, transferindo a data da celebração de 13 de novembro (que recordava o dia em que, em 1875, partia de Gênova a primeira expedição missionária salesiana para Buenos Aires) para 25 de fevereiro, que é a data do martírio deles, trazida também no Martirológio romano.

 

separador

saodomingos

São Domingos Sávio (1842-1857)

Beatificado em 05/03/1950
Canonizado em 12/06/1954

Domingos nasce no dia 2 de abril de 1842 em San Giovanni di Riva, perto de Chieri, província de Turim (Itália). Crescido numa família rica de valores, impressionou desde pequeno pela sua maturidade humana e cristã. Para servir à santa Missa, esperava o padre fora da igreja, mesmo debaixo de neve. Estava sempre alegre. Tinha assumido a vida com seriedade, tanto que – admitido com apenas sete anos à primeira Comunhão – traçou num caderninho o seu projeto de vida: “Vou me confessar muito frequentemente e farei a comunhão sempre que o confessor me permitir.

Quero santificar os dias festivos. Meus amigos serão Jesus e Maria. A morte, mas não o pecado”. Encontra-se com Dom Bosco, quando tinha 12 anos, e pede-lhe para ser admitido no Oratório de Turim, porque desejava ardentemente estudar para ser padre. Dom Bosco, admirado, lhe disse: “Parece-me que temos aqui um bom tecido”. Domingos respondeu: “Eu serei o tecido; o senhor então seja o alfaiate”. Acolhido no Oratório, pediu-lhe que o ajudasse a “ser santo”.

Afável, sempre sereno e alegre, coloca grande empenho nos deveres de estudante e no serviço aos colegas, de todos as formas, ensinando-lhes o Catecismo, assistindo aos doentes, pacificando as brigas… Aos colegas que chegavam ao Oratório ele dizia: “Saiba que aqui, nós fazemos consistir a santidade em estar muito alegres”. Procuramos “somente evitar o pecado, como um grande inimigo que nos rouba a graça de Deus e a paz do coração e impede de realizar os nossos deveres com exatidão”.

Fidelíssimo ao seu programa, apoiado por intensa participação nos sacramentos e por filial devoção a Maria, alegre no sacrifício, foi agraciado por Deus por dons e carismas. Em 8 de dezembro de 1854, proclamado o dogma da Imaculada por Pio IX, Domingos consagrou-se a Maria e começou a avançar rapidamente na santidade. Em 1856 fundou entre os amigos do Oratório a “Companhia da Imaculada” para uma ação apostólica do grupo.

Mamãe Margarida disse a Dom Bosco: “Tens muitos jovens bons, mas nenhum supera o belo coração e a bela alma de Domingos Sávio”. E explicou-lhe: “Vejo-o sempre rezando, fica na igreja mesmo depois dos outros; sai todos os dias do recreio para fazer uma visita ao SSmo. Sacramento… Na igreja, está como um anjo que mora no Paraíso”.

Morreu em Mondonio no dia 9 de março de 1857. Dom Bosco escreveu a sua biografia, e chorava sempre que a relia. Seus restos mortais são venerados na Basílica de Maria Auxiliadora. Sua festa é celebrada no dia 6 de maio. Pio XI definiu-o como “pequeno, ou melhor, grande gigante do espírito”. É patrono das mamães grávidas, e por sua intercessão registram-se todos os anos um surpreende número de graças.

Oração a São Domingos Sávio

Angélico Domingos Sávio, que na escola de Dom Bosco
aprendeste a seguir os caminhos da santidade juvenil,
ajuda-nos a imitar-te no amor a Jesus, na devoção a Maria e no
zelo pelas almas e faze com que, imitando também vós no propósito de antes morrer que pecar, alcancemos a eterna salvação. Assim seja.

 

separador

dom-orione

São Luís Orione (1872 – 1940)

Beatificado em 1980

Canonizado em 2004

Luís Orione nasceu em Pontecurone, diocese de Torosa, no dia 23 de junho de 1872. Na primeira adolescência ajudou o pai como calceteiro de ruas até aos treze anos. Queria estudar para ser sacerdote e foi acolhido no convento franciscano de Volghera, mas teve que abandoná-lo devido a uma grave pneumonia. Foi aceito então no colégio de Valdocco, onde conheceu Dom Bosco, já ancião.

Obteve o privilégio de se confessar com ele e, depois de ter preparado quase três cadernos de pecados, viu-os ser arrancados pelo santo que, entre outras coisas lhe disse: “Nós seremos sempre amigos”. Em Turim, respirou o espírito salesiano e conheceu a Obra do Cottolengo, que era ali perto. Em 1899 iniciou os estudos de filosofia no seminário de Tortona. Em 1892, ainda clérigo, abriu um Oratório em Tortona, e no seguinte um colégio. Em 1895 foi ordenado sacerdote. Na mesma celebração o bispo impôs o hábito clerical a seis alunos do seu colégio.

Começou a abrir obras por toda a Itália e, em 1903 foi reconhecida, pelo bispo de Tortona, a Congregação religiosa masculina da Pequena Obra da Divina Providência, formada por sacerdotes, irmãos coadjutores e eremitas, com o carisma apostólico de “colaborar para levar os pequenos, os pobres e o povo da Igreja ao Papa, mediante as obras de caridade”. Depois do terrível terremoto de 1908 socorreu Messina e Reggio Calábria, assistindo os órfãos e a população. Foi nomeado por Pio X Vigário Geral da diocese de Messina. Depois de deixar a Sicília, continuou a ocupar-se da expansão da sua Congregação, fornecendo ajuda em toda a Itália durante a primeira guerra mundial. Em 1915 fundou o ramo feminino: as Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade, à qual se acrescentarão em 1927 as Irmãs Sacramentinas não videntes adoradoras e, sucessivamente, as Irmãs Contemplativas de Jesus Crucificado.

Mais tarde surgirão também o Instituto Secular e o Movimento Laical Orionino. As fundações estenderam-se por grande parte do mundo, na América Latina, nos Estados Unidos da América, na Inglaterra, na Albânia. Em 1940, o P. Orione morreu numa casa da Pequena Obra em Sanremo. Luís teve sempre no pensamento as palavras de Dom Bosco: “Nós seremos sempre amigos”. Só depois de ter rezado longamente sobre o túmulo do Santo convenceu-se de que o Senhor não o queria entre os Salesianos. Jamais se esqueceu do modelo de Valdocco, tanto que disse muitas vezes: “Caminharia sobre brasas ardentes para ver ainda uma vez Dom Bosco, e dizer-lhe obrigado”.

João Paulo II beatificou-o em 1980 e canonizou-o em maio de 2004.

Oração a São Luiz Orione

Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, nós vos adoramos e vos damos graças pela imensa caridade que infundistes no coração de São Luiz Orione e por ternos dado nele o Apóstolo da Caridade, o Pai dos Pobres e o Benfeitor da humanidade, sofredora e abandonada. Concedei-nos que possamos imitar o amor ardente e generoso que São Luiz Orione tinha para convosco, a Santíssima Virgem, a Igreja, o Papa e todos os aflitos. Pelos seus méritos e sua intercessão, concedei-nos a graça que vos pedimos (pedir a graça) para experimentar a vossa Divina Providência. Amém.

 

separador

Leonardo Murialdo

São Leonardo Murialdo (1828 – 1900)

Beatificado em 1963

Canonizado em 03/05/1970

Leonardo Murialdo nasce em Turim no ano de 1828, oitavo filho de uma família rica. Órfão de pai com apenas quatro anos, recebe, contudo uma ótima educação cristã no colégio dos Escolápios de Savona. Na juventude, atravessa uma profunda crise espiritual que o levará à conversão e à descoberta da vocação sacerdotal. Inicia em Turim os estudos filosóficos e teológicos. Começa a trabalhar, nesses anos, no oratório do Anjo da Guarda, dirigido pelo primo, o teólogo Roberto Murialdo. Graças a essa colaboração toca com as mãos as problemáticas da juventude de Turim: meninos de rua, encarcerados, limpadores de chaminés, serventes de bar.

Em 1851 é ordenado sacerdote. Começa a trabalhar em estreito contato também com o Padre Cafasso e com Dom Bosco, e deste último aceita a direção do Oratório São Luís. Leonardo respira o sistema preventivo, encarna-o e aplica-o em todas as suas futuras obras educativas. Em 1866 aceita a direção do Colégio Pequenos Artesãos de Turim, dedicado à acolhida, à formação humana, cristã e profissional de jovens pobres e abandonados. Faz inúmeras viagens pela Itália, França e Inglaterra para visitar instituições educativas e assistenciais, para aprender, confrontar e melhorar o próprio sistema educativo. Figura entre os promotores das primeiras bibliotecas populares católicas e da União dos Operários Católicos, de que será por longos anos assistente eclesiástico.

Em 1873, com o apoio de alguns colaboradores, funda a Congregação de São José (Josefinos de Murialdo). Sua finalidade apostólica é a educação da juventude, especialmente pobre e abandonada. Abre oratórios, escolas profissionais, casas-família para jovens trabalhadores e colônias agrícolas, aprofunda o seu trabalho nas associações leigas, especialmente no campo da formação profissional dos jovens e da boa estampa. Seu lema: Fazer e calar. Foi homem de espírito e de oração, contemplativo na ação como Dom Bosco. Por volta de 1884 foi atingido por diversos ataques de broncopneumonia: Dom Bosco foi dar-lhe uma bênção e, apesar das provações e perturbações, viveu ainda até 1900. Paulo VI proclamou-o Beato em 1963 e santo em 3 de maio de 1970. A perda do pai em tenra idade levou Leonardo também a ser pai e guia dos jovens que o Senhor lhe quis confiar. A sua vida, o seu etilo e a sua ação colocam-no ao lado do seu amigo e modelo São João Bosco.

Oração a São Leonardo Murialdo

Ó São Leonardo Murialdo, apóstolo da juventude,
intercedei por nós junto a Deus, a fim de que possamos
concretizar cada vez mais o carisma que nos legastes na
Congregação de São José.

Que por vosso exemplo, possamos rezar, pensar e agir
Cm toda disponibilidade em favor dos jovens mais pobres
E marginalizados.

Nossa força brote da Palavra de Deus, da Eucaristia,
da devoção a Maria Santíssima e a São José.

Que o amor infinito, pessoal, atual e misericordioso de Deus
Para conosco, seja nosso viver. Amém.

 

separador

São-José-Cafasso

São José Cafasso (1811 – 1860)

Beatificada em 1925
Canonizada em 1947

José Cafasso nasce em Castelnuovo d’Asti em 1811. Filho de pequenos proprietários de terras, é o terceiro de quatro filhos, dos quais a última, Mariana, será mãe do beato Padre José Allamano. Desde muito jovem era tido como um pequeno santo pela família e por toda a cidade. Faz seus estudos teológicos no seminário de Chieri e, em 1833, é ordenado presbítero. Quatro meses depois se estabelece no Internato Eclesiástico para aperfeiçoar a sua formação sacerdotal e pastoral. Ali ficará por toda a vida, tornando-se seu Reitor. No Internato respiram-se a espiritualidade de Santo Inácio e as orientações teológicas e pastorais de Santo Afonso Maria de Liguori.

O ensino é cuidado com grande atenção e tem em vista formar bons confessores e hábeis pregadores. José estuda e aprofunda a espiritualidade de São Francisco de Sales, que depois transmitirá, sobretudo a um estudante: João Bosco.

Cafasso, seu diretor espiritual de 1841 a 1860, contribuiu para formar e encaminhar a personalidade e a espiritualidade de Dom Bosco. Típica do seu ensinamento é a valorização do dever quotidiano em vista da santidade. Como pôde testemunhar o mesmo fundador dos Salesianos: “A virtude extraordinária de Cafasso foi a de praticar constantemente e com fidelidade maravilhosa as virtudes ordinárias”. Sempre atento às necessidades dos últimos, visitava e apoiava também economicamente os mais pobres, levando-lhes a consolação que derivava do seu ministério sacerdotal. O seu apostolado consistia também no acompanhamento espiritual dos encarcerados e dos condenados à morte, a ponto de ser definido o padre dos encarcerados.

Prudente e reservado, mestre de espírito, foi diretor espiritual de padres, leigos, políticos, fundadores. Pio IX definiu-o a pérola do clero italiano. O Padre Cafasso sustentou também materialmente Dom Bosco e a Congregação Salesiana desde suas origens. Depois de uma breve doença morreu com apenas 49 anos no dia 23 de junho de 1860. Foi beatificado em 1925 e canonizado por Pio XII em 1947, que o reconheceu como “modelo de vida sacerdotal, pai dos pobres, consolador dos enfermos, alívio dos encarcerados, salvação dos condenados ao patíbulo”. O mesmo Papa, na encíclica Menti Nostrae de 23 de setembro de 1950 o propôs como modelo dos sacerdotes.

ORAÇÃO A SÃO José Cafasso

São José Cafasso que fostes tão generoso para com nosso amado são João Bosco, assistindo-o em suas necessidades e que como sacerdote acompanhastes à força a inúmeros condenados à morte, mostrando sempre atenção aos encarcerados, vós que tínheis o dom do conselho, e morrestes tão santamente em oração e na paz, pedimos que intercedais junto a Deus para que nos dê o dom do sábio conselho e nunca deixemos de orar por todos os que estão à beira da morte, principalmente pelos mais abandonados. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

separador

Guanella3

São Luís Guanella

Nascido em 19 de dezembro de 1842, na aldeia alpina de Fraciscio di Campodolcino, Luís foi o nono dos treze filhos de uma família montanhesa dotada de sólidos princípios cristãos.

Sinais precoces da vocação
Desde muito cedo, numerosos indícios, premonições e acontecimentos extraordinários iam indicando ao pequeno Luís as vias traçadas para ele pela Providência Divina.

Um destes fatos ocorreu no dia de sua Primeira Comunhão, aos nove anos. Por ser Quinta-Feira Santa, não houve festa e, regressando a casa, mandaram-no cuidar das ovelhas, como em qualquer dia comum. Ainda tocado pela graça, sentou-se em um dos gramados da colina Motto, parecido a um sofá, onde costumava descansar enquanto pastava o rebanho, e pôs-se a rezar a Nossa Senhora, agradecendo-Lhe a ventura de haver recebido Jesus em seu coração.

Sentia-se tomado por uma suave doçura que o impelia a fazer generosos bons propósitos. Contudo, a certa altura caiu no sono com seu livrinho de orações nas mãos e foi acordado por uma voz feminina que o chamava pelo nome. Não vendo ninguém ao redor, julgou tratar-se de um sonho. Retomou a leitura e adormeceu novamente.

Mais uma vez, o fato se repetiu. E, como aconteceu com Samuel (cf. II Sm 3, 8), ainda houve uma terceira vez, na qual a voz se fez ouvir mais forte e nítida: “Luís, Luís”. Nesse momento, narra o santo, “eis que vejo uma Senhora estendendo seu braço direito como a indicar alguma coisa. Ela me disse: ‘Quando você for adulto, fará tudo isso em prol dos pobres’. E como num telão, vi tudo o que deveria fazer”.

Forjando o temperamento
Aos doze anos Luís recebeu uma bolsa de estudos e matriculou-se no Colégio Gálio, em Como. Fortalecido pela frequência aos Sacramentos e sua ardorosa devoção a Maria, ali cultivou os germens da vocação, manteve-se firme em seus princípios e inabalável no grande apreço às virtudes da castidade e da modéstia, apesar dos ventos revolucionários e liberais que sopravam na Itália e no mundo. Após seis anos de colégio, ingressou no seminário diocesano Santo Abôndio, onde ficou ainda mais vincada a vocação específica que a Providência lhe dera desde a infância. Ao retornar, durante as férias, à sua aldeia natal, empenhava-se em ajudar os pobres e enfermos da região, sobretudo os mais desamparados.

“Uma espada de fogo no ministério santo”
Em um ambiente de ressentimento e raiva, marcado pelas profanações de igrejas realizadas em Como pelos seguidores de Garibaldi, Luís foi ordenado presbítero, em 26 de maio de 1866. Naquele dia, com a alma transbordante de júbilo, o novo sacerdote fez uma promessa a Deus e a seus irmãos: “Quero ser uma espada de fogo no ministério santo!”

Três anos de “aprendizagem” com Dom Bosco
Mais tarde, atraído pela pessoa de São João Bosco, optou por se dirigir a Turim. Ali passou três anos (1875-1878) em “aprendizagem”, como diria depois, seguindo os passos do fundador dos salesianos no caminho da santidade e colaborando com sua obra pedagógica em favor da juventude. Nesta mesma ocasião, conheceu a obra caritativa de São José de Cottolengo, a qual também deixou profundas impressões em sua alma.

Convocado por seu Bispo, regressou à Diocese de Como. Sair de Turim, separar-se dos salesianos e principalmente de Dom Bosco, foi-lhe muito doloroso. “Não senti tamanha dor nem mesmo quando faleceram meus pais, tendo-os em meus braços” , afirma em sua Autobiografia.

Primeira casa da Divina Providência
Na paróquia de Traona, para onde foi enviado em 1878, com a missão de ajudar o pároco enfermo, tentou transformar um antigo convento em escola para jovens pobres aspirantes ao sacerdócio, no estilo salesiano. Poucos meses depois, recebeu ordem de ir para Pianello. Ali um orfanato e um asilo fundados por seu predecessor recém-falecido, o padre Carlos Coppini, postos sob os cuidados de algumas jovens aspirantes à vida religiosa. Foi a partir deste empreendimento que se originou, em 1886, sua primeira fundação, a Congregação das Filhas de Santa Maria da Providência. Abriu por fim, em Como, a primeira Casa da Divina Providência – mesmo nome utilizado por São José de Cottolengo -, com o objetivo de atender os pobres e necessitados. A instituição começou a crescer e não faltaram generosos benfeitores nem almas dispostas a se dedicarem àquela obra de caridade.

Numa viagem a Turim, pediu orientação a Dom Bosco sobre seu desejo de fundar também um instituto masculino. Este lhe mostrou a conveniência de tal empresa e nasceu, assim, sob as bênçãos do Arcebispo de Milão, Beato André Carlos Ferrari – que até 1874 fora Bispo de Como – a Congregação dos Servos da Caridade.

Mais necessário é morrer bem…
Depois de passar inúmeras vicissitudes e provas, Dom Guanella viu, no fim de sua existência, sua obra expandir-se por quatro continentes. Convencido de que os homens são meros instrumentos, pois “è Dio che fa” – quem faz é Deus – o fundador estimulava o ardor missionário dos seus filhos e filhas dizendo-lhes: “Vossa pátria é o mundo”. Ele próprio acompanhou a fundação de novas casas em outros países, como a dos Estados Unidos, em 1912.

Em meio a tantas atividades, ainda encontrou tempo para escrever numerosas obras de formação cristã, além de mais de três mil cartas nas quais transparecem suas virtudes, seu senso profético e seu particular amor aos pobres e abandonados.

Coroando uma vida santa, essa boa morte chegou também para Dom Guanella, em 24 de outubro de 1915, aos 73 anos de idade. Possa sua elevação à honra dos altares desvelar ao mundo de hoje, tão confiante em si mesmo, o segredo de sua santidade como modelo a ser seguido: abandonar-se nas mãos da Providência Divina, certo de que, por mais que os homens atuem, “è Dio che fa”!

Luís Variara

Bem Aventurado Luís Variara (1875-1923)

Venerável em 02/04/1993
Beatificado em 14/04/2002

Luis Variara nasceu em 15 de janeiro de 1875 na cidade de Variagi, na Itália. Ainda criança viu e ouviu Dom Bosco na celebração de uma missa. Mais tarde, seu pai o mandou para o Seminário de Turim, que era dirigido por aquele santo. Quatro meses depois, Dom Bosco morreria, mas esta curta convivência o marcou por toda vida.

Decidiu se tornar salesiano: entrou no noviciado e o concluiu em 1892, recebendo os votos perpétuos das mãos de outro santo, Miguel Rua. Depois, seguiu os estudos de filosofia. Neste período tomou conhecimento sobre o trabalho missionário do Padre Unia na América do Sul. Em 1894 viajou para a Colômbia resolvido a se juntar ao célebre missionário, que iniciava seu trabalho entre os leprosos da aldeia Água de Deus.

O pequeno povoado possuía dois mil habitantes, dos quais oitocentos eram leprosos. Luis mergulhou totalmente na sua missão. Possuindo aptidão e conhecimentos musicais, organizou uma banda, formando um ambiente festivo na “cidade das dores”, como era conhecida. Após quatro anos, Luis foi ordenado sacerdote, se revelando um ótimo diretor espiritual. Entre as suas penitentes estavam também os membros da Associação das Filhas de Maria, um grupo de cerca de duzentas moças, dentre elas muitas leprosas. Foi diante desta constatação que nasceu em Padre Luis a primeira idéia de fundar uma congregação que abrigasse também jovens leprosas.

Em 1905, a Congregação das “Filhas dos Santíssimos Corações de Jesus e de Maria” teve inicio. Ele se sentia cada vez mais entusiasmado com a sua missão. Haviam transcorrido dez anos desde a sua chegada em Água de Deus. Uma década feliz e rica de realizações. Dentre elas o término da construção do Asilo “Dom Miguel Unia”, que apesar dos retardos provocados pela Guerra dos mil dias, pôde ser inaugurado.

Porém, começava um longo período de sofrimentos e de incompreensões, para o generoso missionário. O bispo, que inicialmente havia dado sua aprovação, começou a retirar seu apoio. Por isso, durante algum tempo Padre Luis foi enviado para trabalhar nas paróquias de outras dioceses. Suspeitando que ele tivesse contraído a lepra, diagnóstico que depois resultou errado, foi enviado de volta para Água de Deus.

Em 1921, em obediência, Padre Luis aceitou sua transferência para Tariba, uma cidadezinha venezuelana. Alí adoeceu gravemente. O médico aconselhou, por motivos climáticos, que fosse para a cidade de Cucuta, na Colômbia. Viajou para lá. Mas a situação se precipitou rapidamente e ele morreu em 1° de fevereiro de 1923 com quarenta e nove anos de idade.

Foi sepultado em Cucuta. Em 1932, suas relíquias foram transportadas para a capela da Congregação das “suas” Filhas em Água de Deus, onde ainda se encontram. Atualmente as Irmãs estão espalhadas em onze nações da América, Europa e África, dedicadas em especial modo à pastoral da saúde. Padre Luis Variara foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 2002 e sua festa deve ser celebrada no dia do seu nascimento.

 

separador

Laura Vicuna

Bem Aventurada Laura Vicuña (1891-1904)

Venerável em 05/06/1986
Beatificada em 03/09/1988

Laura Carmem Vicuña nasceu em Santiago do Chile em 05 de abril de 1891. Laura é a primeira filha do casamento de José Domingo Vicuña e Mercedes Pino.

José Domingo, o pai de Laura, é militar. Mercedes é simples, boa trabalhadora, delicada. Em 1894, logo após o nascimento da segunda filha, Julia Amanda, seu marido morre deixando as três com a situação financeira muito difícil.

Mercedes tinha que trabalhar para sustentar as filhas pequenas, mas não conseguia o suficiente para sobreviverem. Decide imigrar para a Argentina, mas lá a situação fica ainda pior. Tanta incerteza e dificuldade a abatem por completo. Então aceita o apoio seguro de um rico fazendeiro de Quilquihué, para garantir a proteção de suas filhas.

Em Quilquihué, Laura e Júlia começam a desfrutar do bem-estar daquela da região andina. Naqueles anos, as freiras Filhas de Maria Auxiliadora tinham aberto um Colégio na cidade vizinha. Mercedes com a ajuda do companheiro matricula as suas duas filhas no Colégio em regime de internato.

No colégio Laura observa, escuta, reflete e descobre pouco a pouco, o segredo da serenidade e da paz que irradiam da vida das freiras. Descobre o que é o Amor de Deus e que Deus está presente em todos os homens. Pensa que ela própria poderia se tornar uma daquelas freiras Filha de Maria Auxiliadora.

Porém, recebe um golpe muito duro. Naquela região, era muito freqüente que as garotas se casassem muito jovens. Por isso as freiras falavam com muita clareza sobre o Sacramento do Matrimônio às suas alunas. Laura escuta e imediatamente compreende que sua mãe vive com o companheiro sem ser casada e que só se submeteu em troca do bem-estar de suas filhas. Laura não condena a sua mãe, porém lutará para devolver-lhe a liberdade, para fazê-la conhecer o verdadeiro amor, para afastá-la do companheiro e reconciliá-la com Deus.

No Internato, comunica a seu confessor sua decisão: “Ofereço a Deus a minha vida pela salvação de minha mãe”.Laura ingressa no convento das freiras Filhas de Maria Auxiliadora se entrega à Deus e as penitências por sua mãe, mas adoece gravemente e morre com13 anos de idade, em 22 de janeiro de 1904. Antes de morrer, ela revela à mãe o seu segredo, obtendo dela a promessa de mudar de vida e de começar uma vida nova.

O Papa João Paulo II beatificou Laura Vicuña, em 3 de setembro de 1988, e suas relíquias estão na capela do convento das Filhas de Maria Auxiliadora em Bahia Blanca, Argentina.

Beata Laura Vicuña

 

separador

palomino

Bem Aventurada Irmã Eusébia Palomino (1899-1935)

Venerável em 15/12/1996
Beatificada em 25/04/2014

Eusébia Palomino Yenes nasceu em Cantalpino, província de Salamanca, oeste da Espanha, no dia 15 de dezembro de 1899. A família de Agostinho Palomino, homem de fé autêntica, é muito pobre. Em alguns períodos do ano Eusébia e o pai são obrigados a pedir esmola nas cidades vizinhas, mas o fazem com alegria e com fé realmente singulares.

Naquelas longas viagens Agostinho ensina o catecismo à filha, ávida de aprender os mistérios do Senhor. Na família de Eusébia, trabalha-se, reza-se e se quer bem. O dia da primeira comunhão foi vivido por Eusébia com grande intensidade. Logo depois, ficou a serviço junto de uma rica família. Não cedeu à tentação da adolescência, pondo sempre em primeiro lugar o amigo Jesus. Foi enviada a Salamanca, primeiramente como babá, depois como assistente num hospital. Desejava muito ser religiosa.

Certo dia, trabalhando com a enxada, encontrou uma medalha de Maria Auxiliadora. Pouco depois, uma misteriosa amiga levou-a ao oratório das Irmãs, que a convidaram para ficar com elas como empregada. Estranhamente, a cozinha tornava-se meta das educandas que iam se encontrar com a cozinheira ignorante que tinha sempre uma boa palavra para elas. Foi a Salamanca a Madre Vigária, que a aceitou entre as postulantes.

Eusébia fez o noviciado em Barcelona, edificando as companheiras com a sua humildade e com o seu sorriso. Tornando-se Filha de Maria Auxiliadora em 1924, foi enviada a Valverde del Camino com o encargo de cozinheira e ajudante doméstica. Começou a viver o seu serviço ordinário extraordinariamente bem, como queria Dom Bosco, tanto que o Senhor quis enchê-la de dons.

Ali também as jovens começaram a aproximar-se dela, atraídas pelo seu fascino espiritual. Começou a trabalhar no oratório. Seminaristas, adultos e sacerdotes pediam-lhe conselhos, estimulados pelo seu espírito de oração e de fé convicta e convincente. Propagou a devoção às Santas Chagas do Senhor e a assim chamada “escravidão mariana” de São Luís Maria Grignon de Montfort. Contam-se fatos especiais que aconteceram em sua vida. Como Dom Bosco, recebeu do Senhor o dom da profecia. Predisse a guerra civil espanhola e ofereceu-se como vítima pela Espanha. Começou a ficar doente. A sua diretora, Ir. Carmen Moreno, depois mártir e beata, cuidava dela, enquanto recolhia seus pensamentos. Ir. Eusébia profetizou o seu martírio.

Antes de morrer teve momentos de êxtase e de visões. Apresentou-se ao Senhor no dia 10 de fevereiro de 1935. João Paulo II beatificou-a no dia 25 de abril de 2004. Seus restos mortais repousam em Valverde.

 

separador

bronislau

Bem Aventurado Padre Bronislau Markiewicz (1842-1912)

Beatificado em 10/06/2015

Bronislau Markiewicz nasceu no dia 13 de julho de 1842 em Pruchnik (Galícia, sul da Polônia), e era o sexto de onze filhos de uma família religiosa de pequenos burgueses. Bronislao enfrentou a fome, a pobreza e perseguições, encontradas na escola por causa de seus ideais cristãos, sempre com espírito de fé que o levou a decidir-se pela entrada no seminário. Foi ordenado sacerdote em 15 de setembro de 1867. Dedicou-se intensamente ao ensino do catecismo e ao apostolado entre os encarcerados, e gostava de viver com o povo, sobretudo pobre. Sentia-se atraído pelos jovens marginalizados que sofriam todo gênero de pobreza e por causa deles quis estudar pedagogia a fim de ajudá-los da melhor forma para salvarem a alma. A Providência levou-o a desejar ardentemente a entrar num Instituto religioso dedicado ao cuidado da juventude.

Partiu, então, para a Itália, onde ficou fascinado pela espiritualidade de Dom Bosco que, sem o saber, já trazia no coração. Pediu e obteve fazer parte da Congregação salesiana e, em 1887, nas mãos de Dom Bosco, emitiu os votos perpétuos. Teve, então, a felicidade de ouvir as recomendações do santo e assimilar diretamente o seu espírito. Em 1892 retornou à Polônia como salesiano, trabalhando como pároco em Miejsce, Galícia, onde pôde se dedicar à juventude polonesa pobre e abandonada. A fim de responder da forma mais eficaz às exigências concretas da miserável Galícia, Bronislao sentiu a necessidade de viver com maior radicalidade os princípios de Dom Bosco e, aconselhando-se com seus colaboradores, fundou a Sociedade Temperança e Trabalho.

Nove anos depois da sua morte, a sociedade, em seus ramos masculino e feminino, foi reconhecida pela Igreja dando origem a duas Congregações colocadas sob a proteção de São Miguel Arcanjo. Seus membros assumiram o nome de Micaelitas. Padre Bronislao, como Dom Bosco, recomendava aos seus filhos e aos jovens que encontrava uma grande devoção à Eucaristia e a Nossa Senhora além de a São Miguel, que indicava como protetor na quotidiana luta contra o mal. A união a Cristo crucificado e a virtude da temperança caracterizam a sua atividade apostólica em favor do próximo.
Morreu em Miejsce Piestowe no dia 29 de janeiro de 1912.

 

separador

beato JK

Bem Aventurado José Kowalski (1911-1942)

Beatificado em 13/06/1999

José Kowalski nasceu em Rzeszów, Polônia, no dia 13 de março de 1911, de Wojciech e Sofia Barowiec, sétimo de nove filhos. Seus pais, católicos praticantes, eram agricultores, proprietários de um modesto sítio.

Depois da escola primária, inscreveram-no no colégio salesiano de Oswiecim (Auschwitz). José distinguiu-se logo pelo empenho no estudo e no serviço, e pela alegria sincera. Inscreveu-se na Companhia da Imaculada e na Associação Missionária, tornando-se depois seu presidente. Enamorou-se literalmente do carisma salesiano e do seu Fundador, do qual procurar seguir o exemplo em tudo: empenho na animação alegre das festas religiosas e civis, presença apostólica junto aos colegas e, em particular, o primado da vida espiritual. Desde jovem estudante deu início à redação de um diário, que nos transmite a devoção a Maria Auxiliadora e à Eucaristia: “Ó minha Mãe – escreveu – eu devo ser santo porque é esse o meu destino. Ó Jesus, ofereço-te o meu pobre coração […] Faz com que eu jamais me afaste de Ti e que permaneça fiel até à morte: antes morrer do que te ofender, nem mesmo com um pequeno pecado. Devo ser um salesiano santo, como o foi o meu pai Dom Bosco”.

Fez a profissão temporária em 1928 em Czerwinsk e recebeu a ordenação sacerdotal em Cracóvia no dia 29 de maio de 1938. Foi nomeado secretário inspetorial. Cuidada na paróquia de um coro juvenil e se ocupava dos jovens mais difíceis. A Polônia foi ocupada, mas os salesianos continuaram o trabalho educativo. Essa foi a razão principal da dramática prisão em 23 de maio de 1941: a Gestapo capturou o P. Kowalski com outros onze salesianos, que trabalhavam em Cracóvia.

Foi internado primeiramente na prisão de Montelupich na mesma cidade; de ali, no dia 26 de junho, foi transferido ao campo de concentração de Auschwitz, recebendo o número 17.350. No lager dedicou-se secretamente ao apostolado: confessava, celebrava missas, recitava o rosário, fazia conferências escondidas, também sobre Dom Bosco, reforçando nos companheiros de prisão a vontade de lutar pela sobrevivência. Sofreu violências, vexações e humilhações. Descoberto com o rosário recusou-se a pisar sobre ele, acelerando assim o martírio, que se deu em Auschwitz no dia 4 de julho de 1942. O seu corpo foi lançado no depósito de excrementos, e depois queimado no crematório do campo. Seus conterrâneos começaram a venerar a sua memória, crendo que o seu sacrifício tinha fecundado as vocações polonesas. Também o Papa João Paulo II era do mesmo parecer, e interessou-se pessoalmente na causa de diversos mártires poloneses. Enfim, os beatificou em Varsóvia no dia 13 de junho de 1999.

 

separador

os cinco

Bem Aventurados Francisco Kesy, Eduardo Klinik, Jarogniew Wojciechowski, Ceslao Józwiak e Eduardo Kazmierski

Beatificados em 13/06/1999

Em 1º de setembro de 1939 Hitler invadiu a Polônia, dando início à segunda guerra mundial.A casa salesiana de Poznan da rua Wroniecka foi ocupada e transformada em almoxarifado pelos soldados alemães. Os jovens continuavam a se reunir nos jardins fora da cidade e nos bosques próximos. Surgiram numerosas associações secretas.

Em setembro de 1940 Francisco Kesy e quatro companheiros do Oratório foram aprisionados com a acusação de pertencerem a uma organização ilegal. Foram levados para a temível Fortaleza VII na mesma Poznan, onde foram torturados e interrogados. Em seguida foram transferidos para outras prisões, nas quais nem sempre tiveram a felicidade de estarem juntos.

Reconduzidos a Poznan foram processados e acusados de alta traição e condenados à morte. Foram martirizados em Dresden no dia 24 de agosto de 1942. Viveram a prisão com espírito de fé e espiritualidade salesiana. Rezavam continuamente: rosário, novenas a Dom Bosco e a Maria Auxiliadora, oração da manhã e da noite. Procuravam estar em contato com suas famílias através de mensagens que conseguiam enviar muitas vezes secretamente. Nelas, eles davam coragem, pediam e garantiam orações. Quando podiam animavam alegremente as festas litúrgicas passadas na cela. Sua fé jamais vacilou. Foram testemunhas críveis até ao fim.

CINCO JOVENS MÁRTIRES

Francisco Kesy nasceu em Berlin no dia 13 de novembro de 1920. A família foi para Poznan devido ao trabalho do pai. Francisco era aspirante no seminário menor dos salesianos em Lad. Durante a ocupação, não podendo continuar os estudos, empregou-se num estabelecimento industrial. O tempo livre era passado no oratório, onde, em estreitíssima amizade de ideais com os outros quatro, animava as associações e as atividades juvenis

Dele se recorda que era sensível, mas ao mesmo tempo alegre, tranqüilo, simpático, e estava sempre disposto a ajudar os outros. Recebia a comunhão quase diariamente; à noite rezava o terço. “Em Wronki, já que estava preso – escreve nas mensagens à família –,tive tempo de examinar-me. Prometi viver de modo diferente, como Dom Bosco nos recomendou, viver para agradar ao Senhor e à sua Mãe, Maria Santíssima. […] Rezo ao bom Deus que todas essas tribulações e desprazeres toquem a mim e não a vós”.

Eduardo Klinik, nasceu em Bochum no dia 21 de junho de 1919, tímido e tranqüilo, tornou-se muito vivo desde que entrou no oratório. Era um estudante sistemático e responsável. Distinguia-se porque vivia empenhado em todo campo de atividades e dava a impressão de ser o mais sério e profundo.

Jarogniew Wojciechowski, nasceu em Poznan no dia 5 de novembro de 1922; era meditativo, tendia a aprofundar a visão das coisas para entender os acontecimentos. Era um animador no melhor sentido do termo. Distinguia-se pelo bom humor, pelo esforço e pelo testemunho.

Ceslao Józwiak, nasceu no dia 7 de setembro de 1919; tinha o caráter um pouco irascível, mas espontâneo, cheio de energia, dono de si, pronto ao sacrifício, coerente e com autoridade. Era visto aspirando à perfeição cristã e progredindo nela. Escreve um companheiro de prisão: “Era de bom caráter e de bom coração, tinha a alma como um bom cristão… Confiou-me umapreocupação: jamais se manchar com alguma impureza”.

Eduardo Kazmierski, nasceu em Poznan no dia 1º de outubro de 1919, e caracterizava-se pela sobriedade, prudência e bondade. No oratório pôdedesenvolver dotes musicais insólitos. A vida religiosa respirada em família e entre os salesianos levou-o logo à maturidade cristã. Durante a prisão demonstrou um grande amor pelos companheiros também os mais velhos. Foi livre de qualquer sentimento de ódio pelos perseguidores.

 

separador
Beata_Maria_Romero_Meneses_C
Bem aventurada Maria Romero
Beatificada em 14/04/2002
Maria Romero Menezes nasceu em Granada de Nicarágua, no dia 13 de janeiro de 1902.
O pai era ministro do governo republicano e muito rico. Mas era também muito generoso com os deserdados da sorte. Infelizmente foi vítima de uma trapaça e sua situação econômica ficou comprometida para sempre. Maria tinha um caráter parecido com o do pai. A família tinha grandes sonhos para ela: estudou música, piano e violino.Com as Irmãs Salesianas
Mas ela escolheu a estrada religiosa. Parecia-lhe que o carisma de Dom Bosco tivesse sido criado exatamente para as suas aspirações.Costa Rica
Depois dos votos perpétuos, foi mandada a São José de Costa Rica, que se tornou a sua segunda pátria.
Foi enviada como professora no colégio destinado a jovens de famílias ricas. Mas, como Dom Bosco, ela procurava “crianças pobres e abandonadas”. E, depois de conquistar os da cidade, foi por montes e vales, a fim de “salvar almas”.

Oratórios festivos para crianças pobres
Como Dom Bosco, escolhendo dentre as melhores de suas alunas, criou as discípulas para a Obra dos Oratórios. Deu-lhes o nome de las misioneritas, e juntas fizeram milagres, não apenas em sentido figurado. Mesmo quando ela teve de deixar de lecionar, até seu último suspiro, jamais deixou de ensinar catecismo a pequenos e adultos.
Em torno dela cresceram “obras sociais” que deixavam espantado até o Governo. Chegou a criar uma aldeia para os mais pobres, dando a cada família – tirada de debaixo da ponte – uma casinha sua.

A devoção a Maria Auxiliadora
Soube infundir grande devoção a Maria Auxiliadora. Construiu para Ela, no centro de São José, uma igreja que continua sendo farol de salvação para inumeráveis almas.

Realizações incríveis
Realizou grandes coisas com a sua fé e com a colaboração de pessoas abastadas, conquistadas para a sua causa depois de terem experimentado os efeitos da devoção mariana.

Contemplativa na ação
Essa Irmã tão ativa era também eminentemente mística, mulher de íntima união com Deus.
Morreu de infarto, no dia 07 de julho de 1977.
O Governo de Costa Rica declarou-a cidadã honorária da nação. Seus restos mortais se encontram em São José de Costa Rica, na grande obra fundada por ela: a Casa da Virgem e Obra social.
João Paulo II a beatificou no dia 14 de abril de 2002. É a primeira “bem-aventurada” da América Central.

separador
Czartoriski_site
Bem-aventurado Augusto Czartoryski
Beatificado em 25/04/2004

Augusto Czartoryski nasceu em Paris no dia 2 de agosto de 1858, do príncipe polonês Ladislao e da princesa Maria Amparo, filha da rainha da Espanha. Há trinta anos a sua nobre estirpe, ligada aos interesses dinásticos da Polônia, tinha emigrado para a França.

A partir do exílio, o príncipe Ladislao procurava restaurar a unidade da pátria desmembrada em 1795. Aos seis anos Augusto perdeu a mãe. Tomou seu lugar Margarina de Orléans, filha do conde de Paris, pretendente ao trono da França.

Desde pequeno, Augusto mostrou-se um garoto bom e reflexivo. Embora ligadíssimo à sua amada Polônia, jamais foi atraído pela vida da corte. A ação da graça em sua alma levou-o ao desapego dos bens terrenos e a uma séria vida espiritual.

Entre os 10 e 17 anos, estudou em Paris e Cracóvia, mas a sua frágil saúde obrigou-o a interromper os estudos e a transferir-se freqüentemente para o sul da Europa em busca de um clima melhor. Naqueles anos, a Providência colocou ao seu lado o preceptor José Kalinowski, que o guiou com prudência não só nos estudos, mas sobretudo na vida espiritual. Kalinowski fez-se depois carmelita. Hoje a Igreja o venera como santo. O preceptor descreve o seu aluno como um jovem de humor estável, de grande bondade de espírito, de perfeita cortesia, sincero, inteligente e muito religioso, mas na simplicidade de coração.

Em maio de 1883, Dom Bosco está na França. É convidado para o Palácio Lambert da princesa Margarida de Orléans. Augusto ajuda sua missa, e o santo lhe diz: “Há muito tempo desejo conhecê-lo!”. O príncipe ficou fulgurado pelo encontro. Irá depois muitas vezes a Turim para se encontrar com Dom Bosco. Pede-lhe com insistência para entrar entre os Salesianos, mas o Fundador não está convencido.

Augusto fala com o Papa Leão XIII, que convida Dom Bosco a aceitar o príncipe. Em julho de 1887, depois de renunciar aos bens e à possibilidade do trono, contra o parecer da família, entra no noviciado. Tem 29 anos. Esforça-se por adequar-se aos horários e ao estilo de vida, torna-se o mais humilde dos noviços. Dom Bosco, quase à morte, abençoa o seu hábito talar. Inicia os estudos de filosofia. Logo depois fica doente, com tuberculose.

Na casa de Valsalice, em Turim, encontra o venerável André Beltrami. Os dois desenvolvem uma amizade espiritual muito profunda, enquanto André cuida de Augusto em sua doença. Entretanto, o P. Rua o faz estudar teologia e o admite às Ordens sacras.

Quando é ordenado sacerdote em San Remo, no dia 2 de abril de 1892, sua família está voluntariamente ausente: tentara de todos os modos fazê-lo sair da Congregação. Augusto encarnou plenamente a espiritualidade salesiana, de modo particular o aspecto do sacrifício e da oferta da própria vida e do próprio sofrimento pelo bem dos jovens e da Congregação; também Dom Bosco sofreu muito, embora não o deixasse perceber.

O P. Augusto morreu em Alassio no dia 8 de abril de 1893, sábado da oitava da Páscoa: “Que bela Páscoa!”, tinha dito. Completara 35 anos. João Paulo II, o papa polonês, teve a alegria de beatificá-lo em 25 de abril de 2004. Seus restos mortais são venerados em Przemysl (Polônia).

separador
Madre Troncatti
Bem-aventurada Maria Troncatti
Beatificada em 24/11

Nasceu em Corteno Golgi (Brescia) no dia 16 de fevereiro de 1883. Na família numerosa, cresceu alegre e trabalhadeira, dividindo-se entre os trabalhos do campo e o cuidado dos irmãozinhos, no clima cálido de afeto dos pais exemplares.

Assídua à catequese paroquial e aos Sacramentos, a adolescente Maria foi maturando um profundo senso cristão que a abriu para os valores da vocação religiosa. Porém, por obediência ao pai e ao pároco, esperou atingir a maioridade para pedir admissão no Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, e emitiu a primeira profissão em Nizza Monferrato, no ano de 1908.

Durante a primeira guerra mundial (1915-18) Ir. Maria freqüentou em Varazze cursos de assistência sanitária e trabalhou no hospital militar como enfermeira da Cruz Vermelha: uma experiência que foi muito preciosa para a sua longa atividade missionária na floresta amazónica do Oriente equatoriano. Em 1922 partia para o Equador, enviada a trabalhar junto aos shuar; ali, com outras duas Irmãs, começou um difícil trabalho de evangelização, em meio a riscos de todo tipo, inclusive os ataques de animais da floresta e as insídias dos rios caudalosos que era preciso atravessar a nado ou sobre frágeis pontes de cipó, ou então nas costas dos índios.

Macas, Sevilha Dom Bosco, Sucúa são alguns dos “milagres” ainda vivos e florescentes da ação de Ir. Maria Troncatti: enfermeira, cirurgiã e ortopedista, dentista e anestesista… Mas, sobretudo catequista e evangelizadora, rica de maravilhosos recursos de fé, de paciência e de amor fraterno. Sua obra em favor da promoção da mulher shuar floresce hoje em centenas de novas famílias cristãs, formadas pela primeira vez por livre escolha dos jovens noivos.

Ir. Maria morreu num trágico acidente aéreo em Sucúa no dia 25 de agosto de 1969. Seu corpo repousa em Macas, na Província de Morona (Equador).

separador
Zeferino_site
Bem-aventurado Zeferino Namuncurá
Nascimento, escola Buenos Aires
Ceferino Namuncurà nasce no dia 26 de agosto de 1886 em Chimpaym, às margens do Rio Negro, Argentina. Seu pai Manuel, último grande cacique das tribos dos índios araucanos, teve que se render três anos antes às tropas da República Argentina. Depois de onze anos de vida livre pelos campos, Manuel Namuncurà envia Zeferino para estudar em Buenos Aires, para que possa defender a sua raça no futuro.Crescimento Espiritual
O clima de família que se respirava no colégio salesiano fez com que se enamorasse de Dom Bosco. Cresceu nele a dimensão espiritual e começou a crescer também o desejo de ser salesiano sacerdote para evangelizar a sua gente. Escolheu Domingos Sávio como modelo, e durante cinco anos, através do esforço extraordinário para se inserir numa cultura totalmente nova, tornou-se ele mesmo um outro Domingos Sávio.Aspirante salesiano
Empenho exemplar na piedade, na caridade, nos deveres cotidianos, no exercício ascético. Este jovem que achava difícil “pôr-se na fila” ou “obedecer ao sino” tornou-se aos poucos um verdadeiro modelo. Como queria Dom Bosco, era exato na realização dos compromissos de estudo e de oração. Era o árbitro no recreio: a palavra era acolhida pelos colegas em luta.
Impressionava a lentidão com que fazia o sinal da cruz, como se meditasse cada palavra; com o seu exemplo corrigia os colegas ensinando-lhes a fazê-lo devagar e com devoção.

Itália
Em 1903 (aos dezesseis anos e meio, e o seu pai que fora batizado aos oitenta anos), Dom Cagliero aceita-o no grupo de aspirantes de Viedma, capital do Vicariato Apostólico, para iniciar a aprendizagem do latim. Devido a sua saúde frágil, o bispo salesiano decide levá-lo à Itália, para continuar os estudos de maneira mais séria e num clima que parece mais adaptado a ele.
Na Itália, encontra o Pe. Rua e o Papa Pio X, que o abençoa com comoção. Freqüenta a escola em Turim e depois no colégio salesiano de Vila Sora, em Frascati. Estuda com muito empenho a ponto de ser o segundo da classe. Entretanto, um mal não diagnosticado em tempo, talvez porque nunca se lamentava, estava minando-o: a tuberculose.

A morte
No dia 28 de março de 1905 é levado ao hospital Fatebenefratelli da Ilha Tiberina em Roma. Muito tarde. Ali morre no dia 11 de maio. Desde 1924, seus restos mortais repousam em sua pátria, em Fortín Mercedes, aonde multidões de peregrinos acorrem para venerá-lo.

separador
Bem-aventurados José Calasanz Marqués e Enrico Saiz Aparício, e 93 companheiros mártires

Memória prescrita é a de 22 de setembro: dos bem-aventurados mártires, José Calasanz Marqués e Enrico Sáiz Aparicio, sacerdotes e companheiros. Trata-se de uma recorrência que contempla, unidos no martírio, membros dos quatro grupos da Família Salesiana fundados por Dom Bosco: Salesianos (SDB), Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), salesianos cooperadores e uma sócia da ADMA (Associação de Maria Auxiliadora).

No dia 18 de julho de 1936 explodiu a guerra civil na Espanha, acompanhada por perseguições religiosas. Leigos, religiosos e sacerdotes foram encarcerados e assassinados por sua fé religiosa. Entre esses, 95 membros da Família Salesiana, sendo 39 sacerdotes, 22 clérigos, 24 salesianos irmãos, 2 Filhas de Maria Auxiliadora, 4 salesianos cooperadores, 3 aspirantes salesianos, e um colaborador leigo. Todos esses deram a vida pela Fé em Cristo, entre julho de 1936 e abril de 1938.

Foram duas as causas que levaram ao reconhecimento do martírio: a do grupo de Valência – 32 mártires – tendo à frente o padre José Calasanz Marqués (29 de julho de 1936), beatificados em 11 de março de 2001, em Roma; e o grupo de Sevilha e Madri – 63 mártires – com à frente o padre Enrico Sáiz Aparicio, beatificados na praça de São Pedro, no dia 28 de outubro de 2007.

Morreram dando exemplo de fidelidade à sua fé cristã e à vocação salesiana, com sentimentos de confiança em Deus e de perdão aos seus assassinos. Nenhum deles misturou-se em lutas políticas ou ideológicas. Como salesianos, praticavam unicamente a “política do Pai-nosso”. Morreram somente porque eram cristãos e, em sua maioria, religiosos.

“Pela Fé – diz o documento de promulgação do Ano da Fé ‘Porta fidei’ – homens e mulheres entregaram sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade”, sinais concretos da espera do Senhor que não tarda a chegar. Pela fé tantos cristãos têm promovido uma ação em favor da justiça, para tornar concreta a Palavra do Senhor que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos (cf. Lc 4,18-19)”.

separador
marvelli
Bem-aventurado Alberto Marvelli 
Beatificado em 05/09/2004

Alberto Marvelli nasceu no dia 21 de março de 1918 em Ferrara, Itália, segundo de sete filhos. Quando se mudou para a Rimini com a família, começa a frequentar o Oratório salesiano. Sempre disponível, tornou-se catequista e animador: o braço direito dos Salesianos. Gostava de esportes e praticava de tudo.

Aos 17 anos escreveu em seu diário um projeto de vida que renovou com o passar do tempo. Entrou no grupo oratoriano da Ação Católica tornando-se logo seu presidente paroquial.

Prestou serviço na Igreja de Rimini como vice-presidente diocesano da Ação Católica. Estudante de engenharia em Bolonha, participou ativamente da FUCI, permanecendo fiel, com sacrifício, à eucaristia quotidiana. Formou-se em 1942 e começou a trabalhar na Fiat de Turim. Fez o serviço militar em Trieste e conseguiu levar muitos de seus companheiros à Eucaristia.

Durante a segunda guerra mundial tornou-se apóstolo entre os refugiados e uma verdadeira providência para os pobres. Depois da entrada dos aliados em Rimini, foi nomeado assessor municipal junto ao ofício de alojamentos e reconstrução e engenheiro responsável pela engenharia civil: “Os pobres passem por primeiro – dizia -, os outros podem esperar”. Aceitou participar das eleições nas listas da Democracia Cristã. Foi reconhecido por todos como cristão empenhado, mas não faccioso, tanto que um adversário disse: “O meu partido pode até perder. Basta que o engenheiro Marvelli se torne prefeito”. O bispo nomeou-o presidente dos laureados católicos.

A devoção mariana e a Eucaristia foram realmente as colunas da sua vida: “Um mundo novo foi aberto para mim ao contemplar Jesus sacramentado – escreve em seu diário. Sempre que me aproximo da santa Comunhão, sempre que Jesus em sua divindade e humanidade entra em mim, em contato com a minha alma, é um acender-se de santos propósitos, uma chama que queima e que consome, mas que me torna muito feliz!”. Morreu atropelado por um caminhão militar no dia 5 de outubro de 1946. Foi, como queria Dom Bosco, bom cristão e honesto cidadão, empenhado na Igreja e na sociedade com coração salesiano. Na juventude fez seu o lema: Ou viver subindo ou morrer.

separador
Alexandrina_da_Costa_34
Bem-aventurada Alexandrina Maria da Costa 
Beatificada em 25/04/2004

Alexandrina Maria da Costa nasceu no dia 30 de março de 1904 em Balasar, Portugal. Com a irmã Deolinda foi educada de modo cristão pela mãe. Alexandrina ficou em família até aos sete anos, quando foi enviada a Póvoa do Varzim junto à família de um marceneiro a fim de freqüentar a escola elementar que não existia em Balasar. Retornando à cidade natal, trabalha como camponesa; é viva, alegre e afetuosa, e muito procurada pelas colegas.

Aos 14 anos pula da janela ao jardim de sua casa, para salvar a pureza insidiada pela paixão de algumas pessoas mal-intencionadas.

Cinco dias depois, a lesão sofrida na queda transforma-se em total paralisia, que a obriga ao leito por mais de 30 anos, sendo atendida pela irmã mais velha. Pede a graça da cura, mas Nossa Senhora lhe concede a aceitação dos sofrimentos e o desejo de sofrer pela salvação das almas. O carisma salesiano vitimal, que se desenvolvera com o P. Beltrami, P. Cazartoryski, P. Variara e Ir. Eusébia, também inspira Alexandrina. Oferece-se como vítima a Cristo pela conversão dos pecadores e pela paz no mundo: “Não tenho outra finalidade a não ser dar glória a Deus e salvar almas para ele”.

Por quatro anos (1938-1942), superando a paralisia habitual, desce do leito e, por 182 vezes revive a paixão de Cristo todas as sextas-feiras, ao longo de três dolorosíssimas horas. Pede e obtém de Pio XII a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria (31 de outubro de 1942).

A partir de 27 de março de 1942 até à morte, 13 anos e 7 meses, não ingere qualquer tipo de bebida ou alimento, além da comunhão cotidiana. Esse fato inexplicável foi comprovado cientificamente por diversos médicos, às vezes até de maneira humilhante para Alexandrina. Foi uma grandíssima mística. Em união contínua com Jesus nos Tabernáculos do mundo todo, recebeu êxtases e revelações.

O Senhor quis que o seu segundo diretor espiritual fosse um salesiano, P. Humberto Pasquale, que recolheu o seu preciso diário. Aceitou, então, tornar-se Cooperadora. Dizia; “Sinto uma grande união com os Salesianos e com os Cooperadores do mundo inteiro. Fixo muitas vezes o meu atestado de pertença e ofereço os meus sofrimentos, unida a todos eles, pela salvação da juventude! Amo a Congregação. Amo-a muito, e jamais a esquecerei nem na terra nem no céu”. Milhares de pessoas iam até ao seu leito para receber o conforto de suas palavras.

Morreu em Balasar no dia 13 de outubro de 1955, onde agora está sepultada, voltada para o tabernáculo. Multidões de peregrinos vão visitá-la. João Paulo II beatificou-a em 25 de abril de 2004.

separador
miguel-rua
Bem-aventurado Miguel Rua
Beatificado em 1972

Miguel Rua nasceu em Turim no dia 9 de junho de 1837. Último de nove filhos, perdeu o pai aos oito anos. Estudou com os Irmãos das Escolas Cristãs até a terceira série elementar.

Deveria começar a trabalhar na Real Fábrica de Armas de Turim, onde o pai era operário, mas Dom Bosco, que aos domingos ia confessar na escola, propôs-lhe continuar os estudos com ele, garantindo-lhe que a Providência pensaria nas despesas.

Certo dia, Dom Bosco distribuía algumas medalhas aos seus meninos. Miguel era o último da fila e chegou atrasado, mas ouviu Dom Bosco dizer: “Toma, Miguelzinho!”. O padre, porém, não lhe estava dando nada, mas acrescentou: “Nós dois faremos tudo meio a meio”, e assim foi de fato.

Colaborador da Companhia da Imaculada com Domingos Sávio, foi aluno modelo, apóstolo entre os colegas. Dom Bosco lhe disse: “Preciso de ajuda. Farei com que recebas a veste dos clérigos; estás de acordo?”. “De acordo!”, respondeu.

Em 25 de março de 1855, nos aposentos de Dom Bosco, nas mãos do fundador, fez os votos de pobreza, castidade e obediência.

Era o primeiro Salesiano. Começou a trabalhar intensamente: ensinou matemática e religião; assistiu no refeitório, no pátio, na capela; tarde da noite, copiou em bela caligrafia as cartas e as publicações de Dom Bosco, e, enfim, estudou para ser padre. Tinha apenas 17 anos. Foi-lhe entregue também a direção do oratório festivo São Luís.

Em novembro de 1856, morreu Mamãe Margarida. Miguel, então, foi encontrar-se com sua mãe: “Mamãe, a senhora quer vir com a gente?”. A senhora Joana Maria foi, e também nisso a família Rua fez meio a meio com a família Bosco.

Em 1859, Rua acompanhou Dom Bosco na audiência com o Papa Pio IX para a aprovação das Regras e, ao retorno, foi-lhe confiada a direção do primeiro oratório em Valdocco. Foi ordenado sacerdote em 29 de julho de 1860.

Dom Bosco escreve-lhe um bilhete: “Verás melhor do que eu a Obra salesiana atravessar os limites da Itália e estabelecer-se no mundo”.

O Padre Rua abriu a primeira casa salesiana fora de Turim, em Mirabello. Poucos anos depois, retornou a Valdocco, substituindo e assistindo Dom Bosco em tudo. Em novembro de 1884, o Papa Leão XIII nomeou o Padre Rua vigário e sucessor de Dom Bosco, que morreria em seus braços quatro anos depois.

O Padre Rua, considerado então a regra viva, tornou-se paterno e amável como Dom Bosco. Enfrentou e superou inúmeras dificuldades no governo da Congregação. Consolidou as missões e o espírito salesiano.

Morreu no dia 6 de abril de 1910, com 73 anos. Com ele, a Sociedade passou de 773 a 4000 Salesianos, de 57 a 345 casas, de 6 a 34 inspetorias em 33 países. Paulo VI beatificou-o em 1972, dizendo: “Ele fez da fonte um rio”.

separador
artemides
Bem-aventurado Artémides Zatti
Beatificado em 14/04/2002

Artêmides Zatti nasceu em Boretto, província de Reggio Emilia (Itália), no dia 12 de outubro de 1880, de Luís Zatti e Albina Vecchi, uma família de agricultores. Desde pequeno foi habituado ao trabalho e ao sacrifício. Aos nove anos já ganhava seu salário como trabalhador braçal.

Em 1897, a família Zatti, obrigada pela pobreza, emigra para a Argentina a fim de estabelecer-se em Bahía Blanca. Ali Artêmides começa a freqüentar a paróquia dirigida pelos Salesianos e torna-se colaborador do pároco, P. Carlos Cavalli, com o qual compartilha freqüentemente trabalho e oração. Sente o desejo de ser salesiano e é aceito como aspirante por Dom Cagliero e já com vinte anos entra na Casa de Bernal. Começa a estudar com afinco para recuperar os anos perdidos.

A Providência confia-lhe a tarefa de assistir um jovem sacerdote, doente de tuberculose, que morre em 1902. No dia em que Artêmides devia receber o hábito clerical contraiu também ele a doença. Retornando àquela casa, o P. Cavalli destinou-o ao hospital missionário de Viedma. O P. Evarisio Garrone, forte da experiência amadurecida no exército, dirige o hospital. Com ele, Artêmides pede e obtém de Maria Auxiliadora a graça da cura com a promessa de dedicar toda a vida ao cuidado dos doentes.

Curou-se e manteve a promessa. De início, começou a ocupar-se da farmácia anexa ao hospital, onde aprendeu a lógica do P. Garrone: só paga quem pode. Falecendo o P. Garrone, recebeu a total responsabilidade pelo hospital.

Em 1908 emitiu os votos perpétuos. Foi de uma dedicação absoluta aos seus doentes. O povo o procurava e estimava. Para o pessoal qualificado do hospital era não só um ótimo dirigente, mas sobretudo um grande cristão.

Há quem descreva assim a sua jornada: “às 4,30 já estava em pé. Meditação e Missa. Visita a todos os setores. Depois, de bicicleta, visita os doentes espalhados pela cidade. Após o almoço, uma entusiasmada partida de boccia com os convalescentes. Das 14 às 18, nova visita aos doentes internos e externos ao hospital. Trabalha na farmácia até às 20. Depois, novo retorno às enfermarias. Até às 23 estuda medicina; enfim, leitura espiritual. Em seguida, o responso em permanente disponibilidade para algum chamado”.

Conseguiu o diploma de enfermeiro. Em 1913, trabalha na construção do novo hospital que, depois, com seu desprazer, foi demolido. Sem se desencorajar organizou um outro. Como Dom Bosco, fez da Providência a primeira e segura entrada do balanço das obras a ele confiadas. Maria Auxilidora jamais o abandonou. Quando Dom Bosco sonhava com seus coadjutores salesianos, seguramente desejava-os santos como Artêmides. Em 1950, tendo caído da escada, foi obrigado ao repouso. Depois de alguns meses manifestaram-se os sintomas de um câncer.

Faleceu em 15 de março de 1951. João Paulo II beatificou-o em 14 de abril de 2002. Seus restos mortais repousam na capela dos Salesianos em Viedma.

separador
aaa
Bem-aventurada Madalena Morano
Beatificada em 15/11/1994

Natural da cidade de Chieri (Turim, Itália), onde nasceu em 15 de novembro de 1847, Madalena Catarina Morano começou desde jovem, entre as crianças do lugar, um tirocínio pedagógico que caracterizou toda a sua vida, sobretudo depois de conseguir o diploma de professora.

Filha de Maria Auxiliadora
Rica de experiência didática e catequética, consegue pelos 30 anos coroar um seu desejo de consagração a Deus que se iniciara na primeira comunhão. Em 1879 é Filha de Maria Auxiliadora e pede a Deus a graça de ‘continuar em vida até completar a medida da santidade’.

Sicília
Enviada à Sicília em 1881 inicia uma fecunda obra educativa entre as meninas e as jovens das classes populares. Dirigindo constantemente ‘um olhar para a terra e dez para o Céu’, abre escolas, oratórios, internatos, cursos profissionalizantes em muitos lugares da ilha. Nomeada superiora provincial, assume também o trabalho formativo de novas e numerosas vocações, atraídas pelo zelo e pelo clima comunitário que se cria em seu redor. O multiforme apostolado é apreciado e animado pelos Bispos, que confiam à sua evangélica criatividade toda a Obra dos catecismos.

Termina uma vida de total coerência
Minada por um tumor, a Ir. Morano termina em Catánia no dia 26 de março de 1908 uma vida de total coerência, vivida sempre com o objetivo de `nunca obstaculizar a ação da Graça com favorecimentos ao egoísmo pessoal’. Nessa mesma cidade, João Paulo II a proclamou bem-aventurada no dia 5 de novembro de 1994. Sua memória celebra-se no dia do seu aniversário, 15 de novembro, e seus restos mortais se veneram em Alì Marina, Messina, Sicília.

separador
Rinaldi
Bem-aventurado Filipe Rinaldi

Nascido a 28 de maio de 1856 em Lu Monferrato (Alessandria), aos 21 anos foi conquistado por Dom Bosco. Ordenado sacerdote, recebeu a incumbência de formar aspirantes e noviços. Em 1889 Dom Rua o mandou como Diretor a Sarriá (Espanha); chamado depois a ser Inspetor, contribuiu de modo decisivo para o desenvolvimento da “Espanha salesiana”.

Nomeado Vigário Geral da Congregação, revelou ainda mais seus dotes de pai e a sua riqueza de iniciativas: cuidado com as vocações, formação de centros de assistência espiritual e social para as jovens operárias, idealizador de empresas editoriais, guia e apoio para as Filhas de Maria Auxiliadora num momento especial da história. Deu grande impulso aos Cooperadores Salesianos; instituiu as Federações mundiais dos ex-alunos e ex-alunas.

Trabalhando com as Zeladoras de Maria Auxiliadora, intuiu e percorreu uma via que levava a criar uma nova forma de vida consagrada no mundo, que floresceria depois no Instituto secular das Voluntárias de Dom Bosco.

Foi eleito Reitor Mor em 1922. “Dom Rinaldi só não tem a voz de Dom Bosco: tudo mais ele tem” disse o Padre Francesia. Concentrou suas energias no esforço de adaptar o espírito de Dom Bosco aos tempos.

Cultor de salesianidade e mestre de vida espiritual, reanimou a vida interior dos Salesianos, a absoluta confiança em Deus, a ilimitada confiança na Auxiliadora; pediu a Pio XI a indulgência do “trabalho santificado”; cuidou das missões, enviando muitos jovens para que aprendessem língua e costumes a fim de realizar uma evangelização mais penetrante.

Morreu no dia 05 de dezembro de 1931. Seu corpo é venerado na cripta da basílica de Maria Auxiliadora.

Sua memória é celebrada no dia 05 de dezembro.

separador
StefanoSandor_site
Bem-aventurado Stefano Sandor
Beatificado em 19/10/2013
Estimado pelos colegas
Estêvão Sándor nasceu em Szolnok, Hungria, no dia 26 de novembro de 1914, de Estêvão e Maria Fekete, primeiro de três irmãos. O pai era funcionário nas Ferrovias do Estado. A mãe ao invés era dona-de-casa. Ambos passaram aos filhos uma religiosidade profunda. Estêvão estudou em sua cidade, obtendo o diploma de técnico metalúrgico. Desde menino era muito estimado pelos colegas: era de fato alegre, sério, cortês. Gostava de estar com os amigos da vizinhança: era para eles um líder como o foi João Bosco entre os jovens de Chieri. Ajudava os irmãozinhos a estudar e a rezar, sendo ele o primeiro a dar exemplo. Recebeu com fervor a Crisma, empenhando-se por imitar o seu Santo Patrono, Estêvão, e São Pedro.Lendo o Boletim Salesiano conheceu Dom Bosco
Ajudava todos os dias à Santa Missa nos Padres Franciscanos, recebendo a Eucaristia. Lendo o ‘Boletim Salesiano’, conheceu Dom Bosco: sintonizou com ele e sentiu-se atraído pelo carisma salesiano. Tratou disso com seu diretor espiritual, manifestando-lhe o desejo de fazer-se salesiano. Falou disso também com os Pais, que lhe negaram a licença e tentaram por todos os modos dissuadi-lo desse intento. Mas Estêvão persistiu. E chegou a convencê-los: em 1936 foi aceito na Casa salesiana chamada ‘Clarisseum’, onde fez dois anos de aspirantado. Frequentou, na Gráfica Dom Bosco, os cursos de técnico-impressor. Iniciou o noviciado, que teve de interromper porque foi chamado às armas.Educador modelo
Em 1939 foi dispensado definitivamente do serviço militar e, terminado o ano de noviciado, fez a 1ª Profissão religiosa em 8 de setembro de 1940, como Salesiano Irmão. Destinado pela obediência ao ‘Clarisseum’, dedicou-se ativamente a ensinar nos cursos profissionais. Teve também o encargo de assistir no Oratório, o que fez com entusiasmo e competência. Promoveu a JOC – Juventude Operária Católica. O seu grupo foi reconhecido como o melhor do Movimento. Seguindo o exemplo de Dom Bosco, mostrou-se um educador modelo. Em 1942 foi chamado ao ‘front’, ganhando a Medalha de Prata ao valor militar. A trincheira foi para ele um oratório festivo, que animava salesianamente, alentando os seus colegas de leva.

Mestre Impressor e Salesiano Irmão
Finda a Segunda Guerra mundial empenhou-se pela reconstrução material e moral da sociedade, dedicando-se especialmente aos jovens mais pobres, que reunia para ensinar-lhes um ofício. No dia 24 de julho de 1946 fez a Profissão Perpétua como Salesiano Irmão. Em 1948 obteve o título de Mestre de Impressão. No fim dos estudos os alunos de Estêvão eram assumidos pelas melhores gráficas da Capital e do Estado.

A causa de martírio
O regime comunista iniciou as perseguições contra as escolas católicas, que tiveram de fechar. Estêvão foi colhido pelo decreto enquanto imprimia na Gráfica: teve de fugir e esconder-se nas casas salesianas, trabalhando sob falso nome numa tipografia pública.

Em julho de 1952 foi preso no mesmo local de trabalho e nunca mais foi visto pelos Coirmãos Salesianos. A causa de martírio iniciou em Budapeste, Hungria, no dia 24 de maio de 2006, e o Decreto em 27 de março de 2013.

separador
pio
Bem-Aventurado Papa Pio IX
Beatificado em 03/09/2000

João Maria Mastai Ferretti (Pio IX) foi o nono filho do Conde Girolamo e de Caterina Sollazzi. Nasceu em Senigallia no dia 13 de maio de 1792. Entre 1803 e 1808 foi aluno dos Escolápios no Colégio dos Nobres em Volterra. Desejoso de tornar-se sacerdote foi obrigado a interromper os estudos devido a improvisos ataques epiléticos.

Em 1815, em Loreto, obteve a graça da cura. Retomou os estudos teológicos e, em 1819, foi ordenado sacerdote. Em 1823 foi por dois anos missionário no Chile. Com apenas 35 anos foi nomeado arcebispo de Spoleto e, em 1832, de Ímola. Em 1840 foi criado cardeal e no dia 16 de junho de 1846, no quarto escrutínio, com 36 votos sobre 50 Cardeais presentes ao Conclave, foi eleito Sumo Pontífice com apenas 54 anos. Tão logo eleito Pontífice promoveu numerosas reformas no interior do Estado Pontifício (liberdade de imprensa, liberdade aos judeus, início das ferrovias, emissão do Estatuto), mas em 1848 teve início a sua “perseguição” quando negou apoio à guerra contra a Áustria. São João Bosco teve com Pio IX a sua primeira audiência em 9 de março de 1858. Ambos tiveram a percepção de encontrar um santo.

Pio IX apoiou e encaminhou Dom Bosco na fundação da Congregação Salesiana. Sugeriu-lhe que a chamasse de “Sociedade”, para que estivesse alinhada aos tempos, e que se emitissem os votos, mas não solenes; aconselhou uma roupa simples e práticas de piedade intensas, mas não muito complexas. Convenceu Dom Bosco a escrever suas memórias para deixar em herança espiritual aos Salesianos. Durante o seu pontificado aprovou as Constituições e a Sociedade Salesiana, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora e a Pia União dos Cooperadores Salesianos, da qual foi o primeiro inscrito. Dom Bosco muito amou Pio IX e aceitou dele todo conselho, mesmo quando lhe custava grande sacrifício: “Estou disposto a enfrentar qualquer cansaço”, dizia, “quando se trata do papado e da Igreja”.

Mas também o Pontífice tinha grande estima por Dom Bosco e convocou-o diversas vezes a Roma para pedir-lhe ajuda em diversas questões delicadíssimas. Em 8 de dezembro de 1854 definiu o dogma da Imaculada Conceição. Em 1869 convocou o Concílio Vaticano I. Em 8 de dezembro de 1870 proclamou São José patrono da Igreja universal. Em 16 de junho de 1875 consagrou a Igreja dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Morreu em 7 de fevereiro de 1878, depois de 32 anos de Pontificado. João Paulo II beatificou-o em 3 de setembro de 2000 juntamente com o “Papa bom”, João XXIII.

ab

André Beltrame

André Beltrami nasceu em Omegna, província de Novara (Itália), no dia 24 de junho de 1870. Em família, recebeu uma educação rica de valores cristãos. André, de caráter vivo, durante a adolescência, foi tentado na pureza pelos discursos de um mau colega, mas a freqüência aos sacramentos, unida à vontade firme, fizeram dele um jovem estimado por todos.

Os pais quiseram que se inscrevesse no colégio salesiano de Lanzo, onde entrou em outubro de 1883. Distinguiu-se no estudo e no exercício das virtudes cristãs. Ali amadureceu a sua vocação. Mais tarde, ele contará: “O Senhor tinha-me colocado no coração uma convicção íntima, de que o único caminho certo para mim seria fazer-me salesiano”. A mãe, confiando-o ao mestre de Noviciado, disse: “Faça dele um santo”.

Em 1866, recebeu o hábito clerical em Foglizzo das mãos de Dom Bosco, que dirá dele: “De Beltrami, há somente um”. Nos dois anos, 1888-1889, que passou em Turim-Valsalice, levou a termo dois cursos trienais, concluindo-os com os respectivos exames de escola particular.

Nesse período conheceu o príncipe polonês Augusto Czartoryski, que entrara a pouco na Congregação. Este ficará logo doente de tuberculose, e será o P. Beltrami – que com ele entrara logo em sintonia espiritual – a ser seu anjo da guarda em Valsalice e em outros lugares por onde o doente passou. Escreve: “Sei que cuido de um santo, de um anjo”. Mais tarde, também o P. André ficou doente e, à escola do santo irmão, viveu o sofrimento com alegria interior. Ofereceu-se como vítima de amor pela conversão dos pecadores e pela consolação dos que sofrem, vivendo o lema: “Nem sarar, nem morrer, mas viver para sofrer”.

O P. Beltrami acolheu plenamente a dimensão sacrifical do carisma salesiano, desejada pelo Fundador Dom Bosco. O clérigo salesiano Luís Variara, então estudante de filosofia em Valsalice, foi intimamente marcado pelo P. André, e aqui encontra suas raízes a espiritualidade das futuras Filhas dos Sagrados Corações: Viver com alegria a vocação de vítima junto com Jesus.

Ordenado sacerdote por D. Cagliero, entregou-se totalmente à contemplação e ao apostolado da pena. Com um desejo veemente de santidade, consumou sua existência na dor e no trabalho incessante. Muitíssimo exato na observância da Regra, teve um amor intenso a Dom Bosco e à Congregação. Nos quatro anos que lhe sobraram de vida depois do sacerdócio, continuou a rezar e a escrever. Deve-se assinalar a tradução italiana dos primeiros volumes da edição crítica das obras de S. Francisco de Sales.

Quando morreu, no dia 30 de dezembro de 1897, tinha 27 anos. Seus restos mortais repousam na igreja de Omegna, sua cidade natal.

separador

dc

Dorotéia Chopitea

Dorotea nasceu em Santiago do Chile no dia 5 de junho de 1816 de uma família rica de fé, de filhos – 18 ! – e de bens materiais. Três anos depois, logo que o Chile chegou à independência da Espanha, Pedro Nolasco Chopitea levou sua família de volta para Barcelona. Dorotea tinha um caráter enérgico, vivo, empreendedor, mas tinha mais ainda um coração de ouro. Aos 13 anos escolheu como diretor espiritual o Pe. Pedro Nardò, que a orientará por cerca de 50 anos. Recebeu uma boa instrução.

Aconselhada pelo Pe. Pedro, casou-se aos 16 anos com um excelente jovem, José Serra, comerciante e banqueiro. Serão esposos fiéis e felizes por 50 anos. Ao final desses anos, José dirá: “o nosso amor cresceu a cada dia”.

Em seu lar nasceram seis filhos: Dorotea, Ana Maria, Isabela, Maria Luisa, Carmem e Jesuína. A principal preocupação de Dorotea era viver verdadeiramente para Deus. Cultivou a piedade: todos os dias com missa, comunhão, rosário. A coisa mais extraordinária, porém, foi a sua caridade para com todos especialmente os mais pobres. Na escala dos valores, colocou em primeiro lugar o amor aos pobres: “Os pobres serão o meu pensamento”. Foi chamada de “a esmoler de Deus”.

Acompanhava o marido em suas viagens; foi recebida por Leão XIII que a tratou com grande deferência. Cerca de trinta fundações surgiram da sua munificência e da do marido: asilos, escolas, hospitais, oficinas… Há quem tenha calculado que os bens dispensados por ela superem o balanço de muitas entidades estatais.

Em 20 de setembro de 1882, viúva há um mês, escreveu a Dom Bosco: “Gostaria de fundar uma obra para jovens operários e para órfãos nos subúrbios de Barcelona”. Dom Bosco aceitou, e Dorotea tornou-se assim cooperadora salesiana. A obra foi iniciada em Sarrià em 1884.

Colaborou com o Pe. Rinaldi, Inspetor da Espanha, na realização de outras obras salesianas; e o futuro Reitor-Mor deu o seu testemunho sobre ela: “Ouvi repetir muitas vezes que ela prestava os serviços mais humildes aos doentes.

Em abril-maio de 1886, Dom Bosco encontrou-se com a santa benfeitora, mais do que nunca disposta a ajudá-lo. Depois da morte de Dom Bosco, Dona Dorotea iniciou três novas obras, entre as quais o colégio Santa Dorotea em Sarrià, entregue às FMA, para o qual empregou o dinheiro que reservara para a velhice.

Dom Bosco a chamava de “a nossa mãe de Barcelona”. Também Dorotea, como Mamãe Margarida, morreu pobre no dia 3 de abril de 1891. Está sepultada em Barcelona – Sarrià.

separador

jq

José Quádrio

O padre José Quádrio nasceu em Vervio, na província italiana de Sóndrio, de uma família de camponeses, rica de vida cristã; aos oito anos já tinha um sério regulamento de vida, que terminava com as palavras: `Procurarei ser santo`.

Por volta dos dez anos, quanto pensava ser sacerdote, teve em suas mãos o `Boletim Salesiano`: sentiu que a família de Dom Bosco seria a sua. Entra assim em 1933 no Instituto Missionário de Ivrea e primou pela bondade e inteligência.

]Tornou-se salesiano em 1937 e, por suas qualidades, foi escolhido e mandado a estudar filosofia na Universidade Gregoriana de Roma, onde freqüentou também a teologia, depois de ter passado dois anos como professor em Foglizzo (Turim), entre os clérigos estudantes.

Durante os anos de estudo, de formação e de apostolado, sua orientação espiritual, sua interioridade e sua bondade foram crescendo e se manifestando cada vez mais, apesar de seu desejo de se manter na sombra. Os sucessos no estudo e sua superioridade intelectual não diminuíram sua alegria humilde e generosa, sempre isenta de qualquer manifestação de orgulho. Ordenado sacerdote em 1947 e com o doutorado em teologia, sempre na Gregoriana, em 1949 iniciou aquele ensino teológico claro e marcante, que deixou um sinal profundo em seus numerosos alunos do Pontifício Ateneu Salesiano de Turim. Em 1960 manifestou-se uma doença incurável que o teria levado à morte.

Plenamente consciente continuou, até que páde, a ensinar e a participar da vida comunitária. Nas freqüentes e prolongadas estadias no hospital, manifestou o calor de sua bondade para com os outros doentes e despertou a admiração dos médicos e do pessoal da saúde. `O grande milagre que o Padre Rua me fez desde o início – escreve poucos meses antes de sua morte – é uma paz imediata e suave, que torna estes dias de espera prolongada os mais bonitos e felizes da minha vida`. Faleceu a 23 de outubro de 1963.

separador

lm

Laura Meozzi

Laura nasce em Florença (Itália) aos 5 de janeiro de 1874 de Alessandro e Angela Mazzoni, uma família rica e nobre sobretudo pelas virtudes cristãs. Bem cedo a família se transfere para Roma, onde Laura cursa medicina. Em 1898 torna-se religiosa salesiana e trabalha sobretudo na Sicília, até 1921, quando é escolhida para chefiar as primeiras irmãs que vão para a Polônia. Por entre os acontecimentos e misérias da Segunda Guerra Mundial em toda a Europa setentrional, a `pequena madre` viveu toda uma história de coragem e amor.

Laura rezava muito. Quando o diretor espiritual, um salesiano, lhe disse que Deus a chamava para ser religiosa de Dom Bosco, passou noites inteiras em oração. Para obter uma `grande graça` para o seu colégio, ficou na capela durante oito horas seguidas. A sua atividade foi incessante. Embora na maior pobreza, abriu casas para todas as necessidades: começou com asilos para crianças órfãs e abandonadas; depois vieram as meninas, as escolas, as oficinas, as postulantes, as noviças, as irmãs…, os refugiados, os perseguidos, os doentes, os desertores. A Madre Laura conseguia confortar a todos.

Ao mesmo tempo rezava e sofria. Viveu a longa agonia e o martírio da Polônia nos anos de 1938 a 1945. A quem lhe perguntava: `Não sente saudades da Itália?`, respondia: `Tenho duas pátrias: a Itália e a Polônia; e não sei dizer a qual das duas eu queira mais bem`. De Wilmo tiveram de sair as religiosas com os 104 meninos em trem especial. Mas, escondidos, havia muitos mais, não autorizados. A Madre dissera `sim` a todos!

A Inspetora salesiana estava preocupada: poderia ser fuzilada. `Não se preocupe, eu rezarei!`. As orações e a viagem duraram 16 dias! Finda a guerra, foi necessário abandonar os territórios das que se haviam tornado repúblicas soviéticas, e recomeçar tudo novamente: a Madre Laura reiniciou bem doze casas. Em Pogrzebien, num velho castelo que os nazistas utilizavam para exterminar mulheres e crianças… renasceu o noviciado. Em todos os lugares retornou o entusiasmo, a alegria e o sorriso. Só a Madre Laura sentia-se cada vez mais exausta: assistida pelas irmãs e apoiada pelas orações de todos, faleceu no dia 30 de agosto de 1951.

separador

lo

Luís Olivares

Nasceu em Corbetta, na província italiana de Milão, a 18 de outubro de 1873; era o quarto de quinze filhos (um seu irmão será missionário e uma irmã, religiosa canossiana). Estudou e foi ordenado sacerdote em Milão.

Queria ser salesiano, mas o seu bispo, o card. Ferrari, o mandou ainda jovem padre com 22 anos, como vice-diretor do colégio arquiepiscopal de Saronno.

Depois de 8 anos, conseguiu entrar para os Salesianos. Diplomado em teologia, ensina teologia moral e sociologia no estudantado de Foglizzo (1906-1910).

Em seguida é feito pároco da recém criada paróquia de S. Maria Libertadora no bairro do Testaccio em Roma. O bairro, com péssima fama, vai se transformando visivelmente, graças à bondade do pároco. Certo dia. Um homem violento lhe deu uma bofetada; padre Luís lhe diz: “Obrigado!” e lhe apresenta a outra face. “O seu confessionário – diz uma testemunha – é procurado da manhã até à noite; nas festas, o trabalho de confessor marca seus dia, começando com a celebração da santa missa e depois a pregação, que repetia de 6 a 7 vezes ao dia”.

Em 1916, o papa Bento XV o escolhe como bispo de Sutri e Nepi. Marca par si mesmo um regulamento com cinco pontos:
“Amarei a minha diocese como uma esposa. Na oração conversarei com Jesus sobre os interesses das almas, não tomarei nenhuma decisão sem O ter antes consultado. Evitarei o luxo e o supérfluo. Terei um horário e o observarei fielmente. Lema da minha vida episcopal: a caridade até o sacrifício”. Assim viveu por 26 anos, em espírito salesiano: “Sou, por dom de Deus, cristão, sacerdote, salesiano e bispo: preciso ser santo”.

Faleceu longe de sua diocese a 9 de maio de 1943, enquanto pregava Exercícios Espirituais aos jovens do Liceu Salesiano de Pordenone (nordeste da Itália). Tinha setenta anos. Agora descansa em Nepi na catedral.

Proclamado Venerável no consistório público de 20 de dezembro de 2004.

separador

mm

Margarida Occhiena (Mamãe Margarida)

Margarida Occhiena nasceu no dia 1º de abril de 1788 em Capriglio, província de Asti, Itália, sexta de dez filhos. Foi batizada no mesmo dia na igreja paroquial. Seus pais são agricultores dotados de sinceros sentimentos cristãos. Dede jovem Margarida é uma grande trabalhadora. Os tempos e o trabalho não lhe permitem estudar, mas o seu amor pela oração é enriquecido por aquela sabedoria que não se encontra nos livros.

Casa-se, em 1812, com Francisco Bosco. Francisco tem 27 anos, é viúvo, com um filho de três anos, Antonio, e tem a mãe doente aos seus cuidados. No ano seguinte nasce José e em 1815 João (o futuro Dom Bosco). Juntos transferem-se para os Becchi, distrito de Castelnuovo d’Asti.

Em 1817 Francisco morre atingido por uma pneumonia. Aos vinte e nove anos Margarida vê-se enfrentando sozinha a condução da família num momento de grande carestia, assistindo a mãe de Francisco, Antonio e os pequenos José e João. Margarida era uma mulher de grande fé. Deus estava sempre acima de todos os seus pensamentos e sempre em seus lábios.

O amor do Senhor era tão intenso que formou nela um coração de mãe. Sábia educadora, soube conjugar nela paternidade e maternidade, doçura e firmeza, vigilância e confiança, familiaridade e diálogo, educando os filhos com amor desinteressado, paciente e exigente. Atenta à vida deles, confia nos meios humanos e no auxílio divino. Acompanha o crescimento de três garotos de temperamento muito diferentes com os mesmos critérios mas com métodos diversos. Ensina-lhes o catecismo e prepara-os para se aproximarem da primeira comunhão.

Tendo ouvido o sonho de Joãozinho aos nove anos, é a única que consegue lê-lo à luz do Senhor: “Quem sabe, tu devas ser sacerdote”. Permite-lhe então que fique com outros garotos pouco recomendáveis, para que, com ele, se comportem melhor. A hostilidade de Antonio em relação aos estudos de João obriga-a a afastar o filho menor para que possa estudar. Haverá de acompanhá-lo até à ordenação sacerdotal. Naquele dia pronunciará algumas palavras que ficarão no coração de Dom Bosco por toda a vida. Quando, em 1848, Dom Bosco fica gravemente doente, Margarida vai assisti-lo descobrindo o bem que faz pelos jovens abandonados.

Ao pedido para acompanhá-lo, responde assim: “Se acreditas que essa é a vontade do Senhor, estou pronta a vir”. A presença de Mamãe Margarida transforma o oratório numa família. Por dez anos a sua vida se confunde com a do filho e com os inícios da Obra salesiana; é a primeira e principal cooperadora de Dom Bosco; torna-se o elemento materno do sistema preventivo; é, sem o saber, “co-fundadora” da Família Salesiana.

Morre em Turim, atingida pela pneumonia, no dia 25 de novembro de 1856 aos 68 anos. Acompanham-na ao cemitério muitos jovens, que a choram como se chora por uma Mãe. Gerações de salesianos a chamaram e a chamarão de Mamãe Margarida.

separador

rk

P. Rodolfo Komórek

Rodolfo Komorek nasceu em Bielsko, na Silésia polonesa, então austríaca, no dia 11 de agosto de 1890. Foi o terceiro de sete filhos de João e Inês Goch, pais verdadeiramente cristãos.

Aos 19 anos entrou no seminário, e ali era comparado a São Luís. Aos 24 anos foi ordenado sacerdote na diocese de Breslavia. Durante a primeira guerra mundial trabalhou como capelão militar no hospital e, a seu pedido, também na frente de batalha. Exerceu por três anos o ofício de pároco em Frystak, onde testemunhou a pobreza, a oração e o zelo apostólico. O seu confessionário estava sempre cheio. P. Rodolfo foi amado e respeitado por todos, sobretudo pelas crianças.

Com 32 anos pediu para entrar na Congregação Salesiana e, em 1922, iniciou o noviciado. Aspirava ser missionário. Por isso, em outubro de 1924 foi destinado a São Feliciano, no Brasil, para cuidar da pastoral dos poloneses imigrantes e sem assistência religiosa. Distinguiu-se como evangelizador e confessor de exceção. Chamavam-no “o padre santo”. Foi exemplar na vivência do voto de pobreza tão amado por Dom Bosco. Vivia em união com Deus na presença do Senhor. Diziam dele: “Nunca se viu visto um homem rezar tanto”. E ainda: “A sua genuflexão valia por uma pregação e a sua compostura quando estava ajoelhado no chão persuadia-nos do seu extraordinário espírito de piedade e de mortificação”.

Passou por várias paróquias e comunidades salesianas. Foi enviado como confessor ao estudantado salesiano de Lavrinhas, onde se distinguiu pela santidade. Dava 28 aulas por semana. A casa de saúde de São José dos Campos foi a última etapa dos seus 25 anos de missão. Vivia contente, nos últimos oito anos de vida, por consumir-se lentamente e oferecer a Deus, até o fim, o respiro de seus pulmões doentes de tuberculose. Assistia os demais doentes exercendo durante o dia todo o ministério sacerdotal. Dormia sobre três tábuas.

Passou os últimos dias em contínua oração. Queria que os remédios, já inúteis, fossem dados aos pobres que não conseguiam comprá-los. Não quis aceitar nem oxigênio nem água. Morreu aos 59 anos, no dia 11 de dezembro de 1949. Está sepultado em São José dos Campos, onde a sua profunda piedade – sobretudo o amor pela Eucaristia –, o seu serviço incansável ao próximo e o seu espírito de contínua penitência formaram e continuam a formar gerações de crentes.separador

ss

Simão Srugi

Simão Srugi nasceu em Nazaré no dia 27 de junho de 1877, último de dez filhos. Com apenas três anos, em poucos meses, perdeu o pai e a mãe, e foi confiado à avó. Em 1888 entrou no orfanato católico de Belém, dirigido pelo P. Belloni. Este padre muito afinado com Dom Bosco, sob conselho do Papa, tornou-se salesiano em 1891, entregando suas obras à Congregação.

Simão viu-se tão bem ali que, aos 16 anos, pediu para ser salesiano. Foi enviado ao Oratório e Escola Agrícola de Beit Gemàl, aonde completou os estudos e fez o noviciado consagrando-se salesiano coadjutor. Ali passará toda a sua vida, trabalhando incansavelmente por cinqüenta anos.

Desenvolveu muitas atividades e com muito amor! É o mestre de escola de muitos pequenos muçulmanos que o chamam de “Mu’allem Srugi”, e que dizem dele: “É bom como uma taça de mel”. Trabalha como moleiro, e os agricultores de toda a região levam-lhe o trigo para moer; dirige todo o movimento com justiça e serenidade.

É enfermeiro. E como não há medico na região, os doentes de umas cinqüenta aldeias acorrerem a ele, quase sempre gente pobre. É como o bom samaritano narrado por Jesus: tem piedade por todos os desventurados, limpa-os, cura-os, trata-os com delicadeza falando-lhes de Jesus e de Maria.

Os doentes dizem: “Os outros médicos não têm as mãos abençoadas do senhor Srugi, suas mãos têm o poder e a doçura de Alá”. É tão gentil e delicado que os muçulmanos afirmam: “Depois de Alá, existe Srugi”. Dom Bosco queria que seus coadjutores estivessem com o povo e que a ele levassem o evangelho através da ação e da oração. Às vezes, muitos vêm para que ele lhes imponha as mãos, as mães apresentam-lhe suas crianças para que as abençoe. Vai-se a ele porque em alguma aldeia estourou uma briga: ele se faz de árbitro e de agente de paz. Todos sentem que Srugi comunica-se com Deus seriamente.

Nutre-se de Eucaristia e de Evangelho. O tempo livre é passado diante do Santíssimo. Quanto, em 1908, o P. Rua visitou a casa de Beit Gemàl, disse: “Acompanhem-no bem, registrem suas palavras e suas ações, porque se trata de um santo”.

Morreu consumado pelo trabalho e pela malária no dia 27 de novembro de 1943, aos 66 anos. Os funerais foram uma apoteose. O seu humilde caixão repousa em Beitgemal junto à tumba gloriosa de Santo Estevão. Foi declarado venerável no dia 2 de abril de 1993.

separador

tv

Teresa Valsé Pantellini 

Teresa Valsé Pantellini nasce em Milão no dia 10 de outubro de 1878 de uma rica família. O pai José Valsé, grande cristão e grande trabalhador, é dono de diversos hotéis no Egito, aonde Teresa passa os primeiros anos de sua vida. O pai educa a filha a amar os pobres e a sempre ajudá-los. Transferem-se primeiramente para Milão, depois para Florença. Aos 12 anos morre-lhe o pai. Teresa amadurece um mais profundo espírito de oração.

Recebe uma acurada instrução literária e artística, e cultiva as virtudes humanas sob a guia doce mas exigente da mãe. Percebe no dia da primeira comunhão o chamado ao estado religioso e oferece-se ao Senhor com profunda alegria.

A mãe transfere a família para Roma a fim de favorecer os estudos universitários do irmão Ítalo. Teresa entra no colégio das Damas do Sagrado Coração e empenha-se nas Conferências de São Vicente. Luxo, riqueza e divertimentos não lhe faltam, mas vive um constante espírito de alegre mortificação escondida. Seu diretor espiritual é o servo de Deus Mons. Radini Tedeschi, futuro bispo de Bergamo, que escolherá o P. Ângelo Roncalli como secretário. Encorajada pelo seu guia espiritual, Teresa decide bater às portas do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora em Roma, “para entregar-se ao Senhor irrevogavelmente – como diz ela mesma – para a educação das pobres meninas do povo”.
Faz a profissão religiosa em 1903, depois de um válido tirocínio como educadora entre as oratorianas do Trastevere. As irmãs do seu tempo recordam-na assim: “Ir. Teresa sabia tomar as transtiberinas pelo lado delas: de fato, era hábil em manter a disciplina, passando por mil formas de falta de civilidade e por várias grosserias”. Uma das meninas, por uma negativa recebida, cuspiu-lhe no rosto. E ela suportou o gesto com a admirável edificação de todos os presentes.

Teresa é cortês e delicada com todos, dispõe-se sempre a fazer os trabalhos mais humildes e pesados. Conduz a lavanderia e as oficinas das meninas pobres com alegria e espírito de sacrifício. É como queria Dom Bosco: extraordinária no ordinário. Nem os sintomas sempre mais insistentes de um mal que a consumava, a tuberculose, detiveram o seu caminho de santidade. Sente que chegou o momento de amar o sofrimento – não só aceitá-lo –, como dom que a une ao Crucifixo: “Aquilo que queres, ó Jesus, também eu o quero, e o quero enquanto tu o quiseres”.

A alegria e a simplicidade de Mornese, o sacrifício silencioso, a sua contínua união com Deus e o amor filial a Nossa Senhora foram pontos sólidos do seu projeto de vida. Em 3 de setembro de 1907, Ir. Teresa encontra-se com aquele Jesus que tinha escolhido irrevogavelmente. Está sepultada em Nizza Monferrato.

separador

vc

Vicente Cimatti

Vicente Cimatti nasceu em Faenza no dia 15 de julho de 1879 de Tiago e Rosa Pasi, último de seis filhos. Dos três irmãos supérstites, Ir. M. Rafaela da Congregação das Irmãs Hospitaleiras da Misericórdia, é beata; Luís, Salesiano coadjutor e missionário na América Latina, morreu em conceito de santidade; e ele, Vicente, é venerável.

Aos três anos fica órfão do pai. É levado pela mãe, à igreja paroquial onde Dom Bosco estava pregando: “Vicentinho, olha, olha Dom Bosco!”, dizia-lhe a mãe. E por toda a vida ele recordará o bom rosto do velho padre.

Aos 17 anos torna-se salesiano e é enviado a Turim-Valsalice, onde ensina e acumula títulos de estudo: diploma de composição junto ao Conservatório de Parma, láurea em agricultura, em filosofia e pedagogia em Turim. Aos 24 anos é ordenado sacerdote. Por vinte anos é professor e compositor brilhantíssimo no colégio de Valsalice. É chamado de Mestre por gerações de clérigos. Entretanto, pedia ao Reitor-Mor com muita insistência: “Encontre-me um lugar na missão mais pobre, mais difícil, mais abandonada. Não consigo viver em meio às comodidades”. Aos 46 anos foi satisfeito! O P. Rinaldi enviou-o como chefe do grupo fundador da obra salesiana no Japão. Trabalhará ali por 40 anos.

Conquistou o coração dos japoneses com a sua bondade, empenhando-se como Dom Bosco no apostolado da imprensa e da música. Traduziu a vida de Domingos Sávio para o japonês. Por ocasião dos 2600 anos da fundação do império japonês, foi convidado a compor uma sonata a ser transmitida pelo rádio. O jornal mais autorizado do Japão julgou-a “mais japonesa do que as japonesas”.

Fundou uma banda musical de meninos que girou pela nação inteira. Diretor da primeira casa salesiana em Miyzaki, será, três anos mais tarde, o Superior da nascente Visitadoria. Viajou muito para encorajar continuamente os primeiros salesianos no Japão, abrindo obras sobretudo para os jovens órfãos e marginalizados.

Em 1935 foi nomeado Prefeito Apostólico. Depois dos anos difíceis da guerra, cheios de inumeráveis sacrifícios, fundou em Tóquio a “Cidade dos Meninos” que, com escolas elementares, médias e profissionais, acolheu em breve 260 órfãos. Em 1949, aos 70 anos, continuou o seu trabalho como diretor do estudantado filosófico e teológico de Chofu por outros nove anos.

Ali morreu como um patriarca, no dia 6 de outubro de 1965. Recebeu diversos reconhecimentos das autoridades italianas e japonesas. Seus restos mortais – exumados em 1977 e encontrados perfeitamente intactos – repousam agora na cripta de Chofu.

separador