Espaço valdocco › 19/11/2015

Espaço Valdocco 67 – Compra da Casa Pinardi e construção da Igreja de São Francisco de Sales

No ano de 1850, o senhor Pinardi veio até Dom Bosco e ofereceu-lhe toda a sua propriedade para venda. Na conversa entre ambos chegaram a um consenso: um amigo comum faria a avaliação do imóvel, e o preço avaliado seria o preço do negócio. O resultado foi a venda de toda a propriedade por 30.000 francos. Haveria uma multa de 100.000 francos para quem desistisse da transação.

Fariam a assinatura da escritura em 15 dias. Onde, porém, arranjar essa quantia em tão pouco tempo? A divina Providência começou então a agir elegantemente. Naquela mesma tarde, o padre Cafasso veio visitar Dom Bosco e lhe disse que uma piedosa pessoa o entregara 10 mil francos para serem empregados no que ele julgasse da maior glória de Deus. No dia seguinte, apresenta-se um religioso rosminiano, que vinha a Turim para aplicar a juros a quantia de 20 mil francos, e pediu a Dom Bosco um conselho. Este propôs que lhe emprestasse para cumprir o contrato com Pinardi, e assim Dom Bosco juntou a soma necessária: 30.000 francos.

Superado este desafio, era necessário pensar agora numa igreja mais decorosa para o culto e mais conforme às crescentes necessidades. A antiga havia sido ampliada mas era incômoda pela diminuta capacidade e pouca altura. Para entrar era preciso descer dois degraus; por conseguinte, ficava tudo alagado no inverno e no tempo da chuva, ao passo que no verão sentiam-se sufocados pelo calor e excessivo cheiro de mofo. Era preciso, pois, construir um edifício mais adequado ao número de meninos, mais ventilado e saudável.

Abertos os alicerces, procedeu-se à bênção da pedra fundamental, a 20 de julho de 1851. Começava a erguer-se o sagrado e suspirado edifício, quando Dom Bosco viu que as finanças estavam totalmente esgotadas. Tinha juntado 35 mil francos com a venda de alguns imóveis, mas desapareceram como gelo ao sol. Várias doações foram feitas para a obra, mas eram gotas d’água em terra seca. Por isso organizou-se uma rifa com objetos recebidos de presente. Era a primeira vez que Dom Bosco recorria dessa maneira à caridade pública, e a rifa foi muito bem aceita. O sumo pontífice, o rei, a rainha-mãe, a rainha consorte, e em geral toda a corte italiana distinguiram-se com suas ofertas. Venderam-se todos os bilhetes. Muitos ganhadores deixavam prazerosamente o prêmio para a igreja, o que resultou em novo ganho. No final, com a rifa lucrou-se 26 mil francos.

ADAPTAÇÃO E LOCUÇÃO: Domingos Sávio