Espaço valdocco › 18/11/2015

Espaço Valdocco 66 – Um cesto de Castanhas que não se esvazia nunca

Nos derradeiros dias de 1849 a história de Dom Bosco registra alguns eventos plenos de mistério. Um destes eventos foi descrito por Giuseppe Buzzetti, que mais tarde seria um dos primeiros sacerdotes salesianos, e por Carlos Tomatis, que foi um dos primeiros rapazes hospedados por Dom Bosco.

No dia de finados, Dom Bosco levara todos os rapazes do oratório festivo a visitar o cemitério e a rezar. Para quando voltassem, prometera-lhes castanhas cozidas. Com efeito, mandara comprar três grandes sacos.

Mamãe Margarida, porém, não havia compreendido suas intenções e mandara cozinhar só três ou quatro quilos. Giuseppe Buzzetti, ao chegar à casa antes dos outros jovens, percebeu logo o transtorno e disse: “Dom Bosco ficará mal. É preciso avisá-lo quanto antes de que não haverá castanha suficiente para todos os meninos.”

Mas na confusão da volta de toda a garotada esfomeada, Buzzetti não conseguiu explicar para Dom Bosco o problema. Este tomou a pequena cesta e começou logo a distribuir castanhas com a grande concha bem cheia. Durante a distribuição e o enorme barulho de alegria feito pelos meninos, Buzzetti gritava para Dom Bosco: “Assim não! Não vai chegar para todos!”

“Mas há 3 sacos na cozinha” – respondeu Dom Bosco.

“Não, não há! Só existem estas castanhas” – disse-lhe Buzzetti, enquanto os meninos bramiam, em desenfreado berreiro, e se comprimiam, avançando em ondas. Dom Bosco ficou estarrecido e disse: “Eu, todavia, prometi a todos. Continuemos assim enquanto houver.”

Continuou a distribuir uma concha cheia a cada menino. Buzzetti olhava, nervoso, as poucas colheradas que restavam no fundo da cesta e olhava para a fila que se fazia cada vez mais longa. Um que outro começou a olhar junto com ele. A certa altura fez-se um silêncio quase completo. Centenas de olhos fixavam, esbugalhados, aquele cesto que não se esvaziava nunca.

Bastaram para todos. E, quem sabe, pela primeira vez, naquela tarde, os garotos com as mãos cheias de pobres castanhas, gritaram: “Dom Bosco é um santo!”.

ADAPTAÇÃO E LOCUÇÃO: Domingos Sávio